quinta-feira, 29 de agosto de 2019

LINGUAJAR VERDE-OLIVA ESCOLA MILITAR



ARATACA 



Tem algum(a) arataca aí? De onde provém esse termo? Qual é o significado original?
Segundo Agenor Lopes de Oliveira (apud CORREIA, Jonas. 1961, p. 43), arataca vem do tupi 'ara tác', colher batendo com estrépito (ruidosamente).
Na gíria dos caçadores, é a armadilha usada para aves ou caça miúda, tal como "arapuca".
Na gíria militar, referia-se à "mala destinada à guarda de objetos e de roupas, usada nos alojamentos dos soldados, nos quartéis, os quais, por analogia (semelhança), apelidavam-na de arataca, pelo fato de a tampa desse móvel fazer ruído, estalando ao abrir e fechar".
Além desse significado e, talvez até por ele, o termo também era usada para referir-se ao militar proveniente do norte e ao cearense na Academia Militar do Realengo. Provavelmente, por esse militar usar sempre a mala em questão.
 
De certa forma, o Gen Jonas Correias não explica, como ou por qual razão "arataca" passou a ser usado para referir-se ao militar oriundo do Nordeste do Brasil.
 

FONTE: CORREIA, Jonas. Introdução ao vocabulário de gíria militar. Rio de Janeiro: MEC. 1962)

MARCAS DAS ESCOLAS MILITARES- RIO PARDO

Antiga Escola Militar- Hoje Centro Regional de Cultura

 A Escola Militar deixou, em Rio Pardo, saudades sentidas ainda, após 56 anos!
Alunos escritores e poetas (e havia um punhado d’eles) traziam a sociedade em alegre atividade, sendo que as garotas, em constante “sobressalto” como grata recordação daquela época, seus remanescentes fazem publicar os versos do então aluno Polidoro Barbosa, hoje coronel, soldado patriota que, por muitos anos, fez parte da Comissão Rondon e Serviços de Fronteira. A homenagem aqui prestada prende-se às afetuosas expressões do poeta quando nos dedicou.
                           Adeus, Rio Pardo! 

As rio-pardenses, moçoilas casadouras,
Recambiam os olhares cadetais;        
As rio-pardenses, moçoilas casadouras,
Sonhos de Rio Pardo
Conseguem entender o namorico.

Os cadetes se enfeitam com o garance
E na pracinha vão fazer figuras
E as garotas nem siquer suspeitam
Que um deles e o rei dos Caraduras.

Nas suas acolhidas querençosas,
Elas pealam o cadete arisco
E consagrados e com muitos sonhos
Conseguem entender o namorico.

Com o Amor elas formam equações:
Mais ou menos, feliz ou infeliz.
Alguns cadetes, cabras escovados,
Simulam não saber achar o X.

                                                   Sob a Luz de lampiões a querozene,
Lampião Antigo
Há lindas juras de amor sempre leal
E algumas, descuidados, ficam presos
 Nos elos da atração universal.

Desnorteada fica uma donzela,
Assim como as bolas sem manica,
Quando o cadete sai do Rio Pardo
E sobre o casamento não se explica.

A partida, para gosar as férias,
Té parece o estouro da boiada:
Por todos os rincões do Rio Grande
Espalha-se a alegre cadetada.

                           Alguns aqui não mais regressarão
                           E deixam Rio Pardo com pesar.
                           No fim do sueto, no Rio eles irão
                           Dourada lagartixa conquistar.

Os cadetes, assim como andorinhas,
Aratacas - mala de madeira

Em outro pouso vão fazer verões.
Levam nas aratacas suas tralhas
E o Rio Pardo nos seus corações.

 Remetente: Sr. Cap. Ten. Victor Caminha Caxambu, Minas Gerais.
O autor com mais ou menos de 75 anos de idade.

FONTE:  Victor Caminha, documento solto, 02/12/1901. Caixa 27 Azul. AHMRP




            

terça-feira, 27 de agosto de 2019

INSTITUTO EDUCACIONAL DE MENORES = ABRIGO DE MENORES


História de Vida de Rio- pardense

Conversando com um ex – aluno do Abrigo de Menores consegui alguns dados sobre a vivência de sua infância.
O aluno chamava-se João Erli da Costa natural de Rio Pardo, nascido no ano de 1945.
João Erli coloca que foi parar no Abrigo por vontade própria, pois era um garoto muito rebelde e saiu da sua casa aos 13 anos, por desavenças entre familiares e irmãos. Após andar encontrou abrigo neste local onde ficou por dois anos, isto foi em 1958.  O Abrigo localizava-se na Boa Vista, na Avenida dos Amarais, hoje ao lado da Igreja Santo Amaro. Depois de um tempo, dois anos de interno, descobriram que ele tinha família e que não era carente. Foram atrás da família e mandaram o aluno para casa, na Vila Bom Fim, próximo do Cemitério Municipal.  João Erli falou que seus pais eram o Sr. Manoel Luiz da Costa e Ernestina dos Santos Costa (Nina), e seis irmãos, trabalharam na Cooperativa Agrícola de Rio Pardo. Seus pais tinham um bom pedaço de terra entre o Cemitério e a Ferroviária pegando um pedaço das terras no Loteamento Higino Leitão.
João conta um pouco da história no Abrigo: Fala que não sabe bem como era chamada a pessoa responsável pelo abrigo que parece que era o Sr. Ernesto Wunderlich, Diretor e que tinha um casal responsável pelos alunos e um soldado e durante o dia tinha uma professora muito boa, humanitária, a D. Leonida Frantz, eram mais ou menos 50 jovens, que ficavam ali internos sem poder sair. Eram órfãos ou filhos de mães solteiras (meretriz). Relata que os cuidadores eram desqualificados e maus e judiavam das crianças. Quando alguém fazia alguma coisa errada eram presos numa dispensa onde ficavam de noite e tinha tantos ratos que não conseguiam dormir de medo e porque os ratos passavam por todos os lados e por cima deles, era um horror. A dispensa virava cadeia de memores. Diz que numa ocasião um aluno apanhou muito de cinta e o seu Luiz se meteu para acudir o amigo e apanhou junto. Este aluno era filho de uma meretriz o cuidador mandava o menino repetir “sou filho de uma meretriz” parecia que era um castigo...
Seu João fala que ele sempre foi curioso e que ali no abrigo funcionava uma gráfica Saraiva e que ele foi se chegando e conseguiu aprender o ofício de tipógrafo. Neste lugar funcionava uma Escola Isolada assim chamada na época. Também brincavam, jogavam bola, estudavam e tinham muitos momentos bons. Ajudavam na horta, cuidavam dos porcos, galinhas e havia uma oficina de telas (fazer telas).
 O aluno, hoje um senhor de 74 anos coloca que sempre se achou uma pessoa diferente rebelde, mas que gostava de estudar, ler e aprender era metido.
Na sua adolescência teve muitos amigos em Rio Pardo, foi jogador do Esporte Clube Avenida de Santa Cruz e jogou na cidade com o Carrasco, Renato Zim, Valter Guinther, Paulo França, Tenório e tantos outros rio-pardenses.
Os anos passaram, consegui me organizar como pessoa, valorizando a vida e o trabalho. Fui bombeiro, e cheguei a 1º Sargento dos bombeiros, e Comandante dos Bombeiros de Gravataí, hoje sou aposentado, mas continuo a prestar serviço na comunidade. Após ter me aposentado fui convidado a trabalhar no Fórum em Cachoeirinha com responsabilidade sempre pontual fui convidado pela juíza a prestar serviço no Segundo Cartório da Juíza o que muito me honrou.
Fui coordenador da Escola Aberta, coordenado pela ONU por três anos, conselheiro Escolar EMEM Sta. Rita de Cássia, Coordenador de Banda Marcial e Acadêmico de História, ULBRA.
Sempre que venho a Rio Pardo recordo os bons tempos vividos por aqui, não tenho tempo que chegue para conversar com um e outro que encontro na rua, pois os amigos são muitos.
Hoje relembro o passado, valorizando o que consegui levar de bom da infância e adolescência transformando em conhecimento para a VIDA.
Estou em atividade ainda, estudando História, pois precisamos ocupar o tempo e sempre aprender. Tive de parar um semestre por causa de ter de ajudar um filho que adoeceu, mas no ano que vem vou se Deus quiser me formar no Curso de História com muito prazer aos 75 anos.

FONTE: Entrevista da Prof. Neuza com Sr. João Erli. AHMRP, 2019







quinta-feira, 22 de agosto de 2019

OLARIA ANTONIO OLINTO MEURER


HISTÓRIAS PASSADAS
 Entrevista com a  Srª Erna Catarina Meurer Rocha


Erna Meurer
Casa da Família
Meu pai comprou a Olaria por volta de 1930, do Sr. Pascoalote e do Sr. Faustino de Souza Batista. Eram duas olarias pequenas na localidade do Camargo.Fabricávamos tijolos e telhas manualmente, pois não havia no local energia elétrica. Dona Erna fala com muita propriedade como eram feitas as telhas: colocavam o barro nos tanques grandes de mais ou menos 5 m por 5 m de comprimento e de 3 m de altura, o preparo de medidas era feito por tantas carretas de terra, barro, areia, em proporções iguais e água. A água que usávamos era encanada de uma vertente próxima. Esta mistura era trabalhada por vários dias, depois tirada dos tanques em carros de mão para levar ao tonel tocado a gasogênio (carvão) ou óleo. O barro era amassado e cortado em tamanhos de tijolos e amassado novamente no tonel para ficar bem sovado e liso tirando assim todas as impurezas que por ventura ainda ficassem, pois estas impurezas no barro poderiam quebrar a telha quando secassem.
Chaminé da Olaria e Galpão já desativado ,mas com máquinas dentro.
Com o barro na forma as telhas eram levadas para prensar. A prensa era limpa com querosene e parafina quente usando um pano para passar e não se queimar. Colocava uma chapa na forma para prensar (prensa a mão) puxavam a prensa e colocavam num tabuleiro de madeira. Depois de prensada, virava em cima de uma tabuleta de madeira onde se limpavam as barbelas (sobras).
Forma manual telha  canoa
Outro funcionário colocava, nas prateleiras de baixo, pois não podia pegar muito ar (vento) nas telhas porque arrebentavam. Ainda tinha de fazer o retoque nos encaixes para não ficar empenada na colocação das casas e não dar goteiras, e este serviço eram feito mais por mulheres. Após três dias, as telhas já secas eram arriadas e levadas ao forno para queimar. O forno devia estar em aquecimento leve, após mais quente e por último o arrocho para o término da queimada. Para abrir o forno Dona Erna disse que teria de ser na temperatura certa, para tirar as telhas com as mãos e usando tamancos de madeira nos pés porque eram grossos e não teria perigo de se queimar. Na olaria haviam muitos empregados, mas para alguns serviços eram pessoas especializadas, para a queima era o queimador e auxiliares.
Estera para assar os tijolos
Forno para queimar os tijolos
Depois da queima tinha o trabalho de classificação, primeira, segunda e até terceira usada para galpões. Algumas telhas saiam com problemas, trincadas ou empenadas. Para a classificação tínhamos um funcionário especializado que conhecia pelo som, a qualidade da telha, com apenas um toque de madeira sabia em que classe deveria ser classificada.
A venda do produto era feita em Rio Pardo e nas cidades vizinhas.
A família morou um bom tempo junto da Olaria e lá nasceram quase todos os meus irmãos, foi formando uma quase vila com as famílias dos empregados que eram muitos. Com o tempo, papai sentiu a necessidade de criar uma escola municipal e construiu uma sala para ali ser ministrada aula para os filhos dos empregados porque ficava longe de outras escolas e no inverno dava muito transtorno a saída das crianças para estudar. A Professora era a senhora Polinia Panta Meurer. Falou-nos que os filhos também ajudavam os pais na Olaria.Disse éramos quase uma família, patrões e empregados.Quando necessário, eram levados para a cidade de carro para receberem assistência médica. Nas datas comemorativas as famílias eram presenteadas com doces, cucas feitas por mim, refrigerantes e um corte de tecido para os empregados e sua família. Na pequena vila do Camargo havia também uma enfermaria pequena para atendermos os doentes e trata-los após serem medicados ficavam de repouso, tínhamos dois quartos com camas disponíveis para as necessidades, eu ajudava nos cuidados, até fazia injeções. Éramos uma comunidade bastante unida, a família Meurer ajudava em tudo, até em batizados e casamentos dos empregados da Olaria. Conversando com a senhora Erna para despedirmos, agradecidas pela sua atenção, ela comentou que “algumas pessoas dizem”: Aí... como era boa a vida antigamente, e eu digo “só se era pra ti, porque pra mim não era nada fácil, cortar lenha de machado e até carregar água da fonte e coar”... Acho que hoje as coisas são bem mais fáceis.

Carrinho máquina para carregar tijolos
Forma de madeira para tijolos maciços





Ventilador, resfriador da máquina


FONTE: Projeto"O Barro ocupa seu espaço", AHMRP, 2007.


Jornal RP 12 e 19/10/2007.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

OLARIA SANTO ANTONIO - OTOCAR SOUZA


Construtores da História de Rio Pardo

 SR. OTOCAR SOUZA
Imagem da família Souza

 Conversando com o Sr. Otocar, na casa da sua filha Cleonice, na companhia dos filhos Jair e Glaci, contava-me que iniciou a trabalhar por volta de 1932, aos oito anos na olaria do tio Olinto Meurer, no Camargo. Trabalhou até mais ou menos 1950. Depois desta época veio morar na cidade trabalhando não mais em Olaria e sim de empregado (pedreiro) com o construtor Manoel João Ferreira e Manoel Bastos.
Com o tempo, com experiência em construções de casas, resolveu a trabalhar por conta na construção civil.
 Ele comentou: ”fui de empregado a construtor”. O tempo foi passando e eu já casado, com filhos, havia adquirido alguns bens. Surge então a oportunidade da compra de uma Olaria chamada Santo Antonio na vila “Progresso”, Boa Vista, que era do Sr. Rui Gomes. 
Olaria como era...
Quando soube da venda pensei que seria um bom negócio, então resolvi enfrentar o desafio e fui em busca, mas um pouco receoso, pois para realizar o negócio teria de ter um bom dinheiro e eu não tinha, apenas bens e teria de vendê-los, mas não tinha, apenas bens e teria de vendê-los, mas não me intimidei. Fiz o negócio, acertei tudo e só então fui arrumar o dinheiro. Hoje digo, "que ao mesmo tempo em que foi difícil foi fácil”.Voltei a trabalhar em Olaria, agora como proprietário. Com a ajuda dos filhos fomos vencendo as dificuldades e a produzir  telhas e tijolos, com sucesso. Tivemos muitos trabalhadores dos quais os carreteiros que vinham de fora da cidade, para acompanhar na olaria e buscar o barro nas barreiras próximos ao rio Jacuí em minhas terras. No verão era época de maior trabalho, pois tinham de fazer depósito de barro, para toda a produção do inverno, porque as terras ficavam alagadas com as enchentes... 
 O Sr. Otocar colocou-me que em apenas três anos de trabalho comprou uma FUBICA FORD 29, colocou a criançada e foram passear na Olaria, mas para sua surpresa na volta do passeio, apareceu um menino na sua frente o que lhe deu um susto muito grande. Imaginem que gritaria de 12 piás, mas não chegou acontecer nada foi só o susto.
Ele diz: que a produção era muito boa e que vendia seu material na própria cidade para as construções de casas e apartamentos e que seu engenheiro era o Sr.Paulo Cezar Begnis, comentou ainda que as encomendas eram pagas adiantadas. Disse-me que entre os seus trabalhadores havia os que eram artistas, modelavam com perfeição, muitos animais e objetos em barro, que depois de queimados eram levados como enfeites de suas casas.
Comentando ainda sobre a olaria, havia alguns medos, muitas prateleiras para colocar tijolos a secar e no meio de uma, tinha um tronco seco de árvore, alguns viam assombrações, ruídos, barulhos diferentes tendo um certo receio. Os trabalhadores gostavam de aportar algumas, colocavam graxa de máquinas nos sapatos dos colegas só para fazer gracinha uns com os outros o que os incomodava.
Parte do Galpão da Olaria na época do trabalho 2007
 Trabalhei 38 anos, de 1958 a 1996. Parei de trabalhar em olaria porque a procura havia diminuído com o surgimento do brasilite, os encargos eram muitos e a necessidade da contratação de um geólogo encarecia muito e diminuía o lucro.

Consegui parar com o trabalho na olaria sem passar por dificuldades devido a ter plantado anos atrás cem mil pés de eucalipto em minha propriedade, o que hoje me ajuda a viver com dignidade, pois meus filhos já haviam estudado casados e construídos suas famílias.  
Data de 31/8/07, 07/9/07 JRP

FONTE: Trabalho feito pela equipe do  AHMRP, 2007. Jornal Rio Pardo

domingo, 18 de agosto de 2019

FOTOS DA PONTE CENTENÁRIA DE RIO PARDO RS

PONTE SOBRE O RIO PARDO
Ponte iniciada por volta de 1813. Contam algumas pessoas mais velhas que no meio da Ponte havia uma parte móvel para ser retirada à noite por causa dos inimigos invasores.
Pedras centenárias nos pilares da Ponte


Ponte no rio Pardo, origem do nome da Cidade de Rio Pardo.
Platanas centenárias na Antiga Estação Férrea

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

PROJETO OLARIA -O BARRO OCUPA SEU ESPAÇO


História das Olarias I
Os primitivos moravam em cavernas mais tarde ocas de barro, passando a desenvolver suas habilidades começando a usar amarras de paus roliços com taquara, cipós, barro e cobertura de capim (taipa).

Com um desenvolvimento cada vez maior, foi surgindo a necessidade de olarias, que facilitou a construção das paredes externas as quais os tijolos eram usados junto com as pedras para amarrar a construção.
Iniciando-se também a fabricação de telhas, como as de canoa, que segundo algumas informações populares eram feitas por escravos, ou em madeiras roliças para dar a forma de canoa, com a constante evolução e tecnologia foram se aprimorando modernas telhas e construções neste mundo globalizado que é o nosso.
Algumas Olarias de Rio Pardo:
A Olaria Kipper Fundada em 1947 pelo Sr. Beno Almiro Kipper.
Oque restou de uma grande Olaria em R Pardo.

Família do Sr. Beno  em 1955. O Sr. Beno Kipper casou-se com Olinda. Desta união nasceram 4 filhos:  Cilon, Danilo, Eti e Guilherme. 

Quando fizemos o estudo já haviam parado com o trabalho.
FONTE: Trabalho do Arquivo Histórico com Secretaria de Turismo e Cultura e Ceni Fontoura, 2007
Família Kipper