segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

HISTÓRIA DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CANDELÁRIA


A paróquia Nossa Senhora da Candelária, de Candelária, está localizada na região do Vale do Rio Pardo, região central da Diocese. Pertence à Comarca Eclesiástica de Candelária. 
Em 1822 uma sesmaria, que abrangia todo território da atual cidade de Candelária, foi concedida a José F. da Silveira. Posteriormente, diversas sesmarias foram distribuídas por toda região, sendo, pois, os sesmeiros os prováveis pioneiros da colonização.
No ano de 1862, João Kochenborger e Jacob Welch se instalaram em Candelária, sendo eles oficialmente considerados como os primeiros moradores de Candelária. O terceiro imigrante, que chegou um pouco mais tarde, foi Chistiano Goelzer.
A comunidade Evangélica Luterana foi fundada em 1865 e os primeiros terrenos começaram a ser vendidos em 1866. O povoado, naquele tempo, era chamado Germânia.
Antes mesmo de 1875, conta a História que, estando a Princesa Isabel e o seu marido, o Conde D’Eu, em visita a Rio Pardo[1], uma comissão de candelarienses ter-lhe-ia solicitado apoio para a criação da freguesia de São João do Botucaraí. Conta também a História que, sendo a Princesa Isabel devota de Nossa Senhora da Candelária, pedira aos candelarienses que dessem este nome a paróquia. Em 09/05/1876, era pois, oficialmente criada a paróquia Nossa Senhora da Candelária. No mesmo ano, há comentários, já se teria construído uma capela. Em 1880, dizem que com moedas de ouro dadas pela Princesa, foi construída uma nova Igreja. A paróquia era administrada pelos padres de Rio Pardo e Santa Cruz, pois somente em 12/08/1900 foi provida de pároco, na pessoa do Pe. Guilherme Mueller. O Pe. Mueller ficou por 17 anos e durante 10 anos, novamente, a paróquia foi atendida pelos padres de Santa Cruz do Sul.




[1] A visita da Princesa Isabel e Conde D’Eu ao Rio Grande do Sul aconteceu em 1885.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

DIVISÃO ADMINISTRATIVA DE RIO PARDO


O município de Rio Pardo foi criado em 1809, simultaneamente com os de Porto Alegre, Rio Grande e Santo Antônio da Patrulha. Primitivamente habitado por índios Tapes, teve sua origem no Tratado de Madrid. Em 1752 foi construído o Forte Jesus-Maria-José. Para reforçar a defesa dessa fortificação, que já sofrera ataque dos indígenas, foi enviado em 1754, de Rio Grande, um contingente do “Regimento de Dragões”, permanecendo na cidade por mais de oitenta anos. Índios e espanhóis continuaram atacando a fortaleza e o local, mas os Dragões acabaram por vencê-los. Assim, Rio Pardo teve fundação essencialmente militar. O primeiro núcleo populacional foi constituído pelos militares e suas famílias e, posteriormente, chegaram os primeiros colonos açorianos.
Formação Administrativa
Criação da Vila, com nome de Rio Pardo, por alvará de 27-04-1809. Instalada em 20-05-1811.
Pelo ato municipal nº 53 (10-01-1898), foram criados os distritos Candelária, Capivari, Couto, Cruz Alta, Rincão Del Rei, Pedreiras da Aroeira.
Em 1911,6 distritos:Rio Pardo,Candelária,Capivari,Couto,Cruz Alta,Rincão Del Rei,Pedreiras da Aroeira.
Ato municipal nº 4 (20-07-1925) distrito de Candelária é elevado à categoria de município.
Ato municipal nº 130 (06-08-1927) cria o distrito de João Rodrigues.
Ato municipal nº 134 (26-11-1929) extingue distrito de Couto, e seu território é anexado à sede.
Ato municipal nº 2 (24-12-1930) cria distrito de Garcia Ferraz.
Ato municipal nº 9 ( 14-01-1931) recria o distrito de Couto.
Divisão administrativa de 1933: município constituído de 8 distritos: Rio Pardo, Capivari, Couto, Cruz Alta, Pedreiras das Aroeiras, João Rodrigues, Rincão Del Rei e Garcia Ferraz.
Em divisões territoriais datadas de 31-12-1936 e 31-12-1937, o município é constituído de 8 distritos: Rio Pardo, Couto, Rincão Del Rei, Cruz Alta, Capivari, João Rodrigues, Garcia Ferraz e Pederneiras (ex-Pedreiras da Aroeiras).
Pelo decreto estadual nº 7199, de 31-03-1938, o distrito de Couto passou a denominar-se Passo do Sobrado. Mesmo decreto extingue o distrito de Garcia Ferraz e seu território anexado a Capivari.
No período 1939-1943, o município é constituído de Rio Pardo (zonas: Rio Pardo, Pederneiras, Bexiga (ex-Cruz Alta), Capivari, Passo do Sobrado (ex-Couto), Rincão Del Rei e João Rodrigues).
Decreto-lei nº 720 (29-12-1944): distrito de Capivari tomou o nome de Capivarita, distrito de João Rodrigues é extinto, sendo seu território anexado ao distrito de Rincão del Rei.
No período 1944-1948, município é composto dos distritos: Rio Pardo (zonas: Rio Pardo, Pederneiras, Bexiga, Capivarita (ex-Capivari), Passo do Sobrado e Rincão Del Rei.
Divisão territorial de 01-07-1950-5 distritos:Rio Pardo,Bexiga,Capivarita,Passo do Sobrado,Rincão Del Rei.
Lei municipal nº 11 (11-08-1959): criado o distrito de Albardão (ex-povoado).
Divisão territorial de 01-07-1960: 6 distritos: Rio Pardo, Albardão, Bexiga, Capivarita, Passo do Sobrado e Rincão Del Rei.
Lei municipal nº 5 (10-05-1984) alterada pela lei municipal nº 28 (29-06-1985), cria distritos de João Rodrigues, com terras desmembradas de Rincão Del Rei; Iruí, Passo do Adão e Pantano Grande, desmembrados do extinto distrito de Capivatita.
Lei estadual nº 8488 (15-12-1987) desmembra do município de Rio Pardo distrito de Pantano Grande, elevado à categoria de município com área do extinto distrito de Capivarita.
Em 1988, o município é constituído de 8 distritos: Rio Pardo, Albardão, Bexiga, Iruí, João Rodrigues, Passo do Sobrado, Passo do Adão, Rincão Del Rei.
Lei estadual nº 9545 (20-03-1992)desmembra o distrito de Passo do Sobrado (elevado  município).
Lei nº 38 (13-09-1993) cria o distrito de Passo de Areia.
Divisão territorial de 1999: município é constituído de 8 distritos: Rio Pardo, Albardão, Bexiga, Iruí, João Rodrigues, Passo da Areia, Passo do Adão, Rincão Del Rei. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.
Alteração toponímica distrital: Couto para Passo do Sobrado, alterado pelo decreto estadual nº 7199, de 31-03-1938.

REFERÊNCIA: http://www.biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/riograndedosul/riopardo.pdf

domingo, 2 de dezembro de 2018

RIO PARDO (NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE)


Sobre a margem direita do rio Jacuí, na foz do rio Pardo, e na latitude sul de 29°59’ e longitude oeste do meridiano do Observatório do Rio de Janeiro de 9°11’31” acha-se situada a cidade do Rio Pardo, cabeça de comarca e uma das mais antigas povoações da província; foi outrora um dos pontos mais florescentes, porém presentemente está em decadente estado.
As suas ruas são alinhadas e algumas calçadas, e tem três templos, dos quais o principal é a Igreja do Rosário.
O termo do Rio Pardo foi dividido pela Lei Provincial nº 573 de 23 de abril  de 1864 em sete distritos, denominados: 1º da Cidade; 2º do Couto; 3º de Santa Cruz; 4º da Cruz Alta; 5º da Costa da Serra; 6º do Iruí; e 7º do Capivari.
A cidade tem 900 habitantes, tendo o município 9,984 habitantes e a comarca 39,352, sendo destes 30,885 livres e 9,467 escravos.
O município prospera, graças às colônias alemãs que se têm fundado nele, e que prometem em pouco tempo fazer a cidade tornar a ganhar a importância comercial que outrora teve. Seu terreno é abundante de ferro, ágatas, quartzo, ametista e caulim, de que se fabrica a porcelana.
A instrução primária é dada por quatro escolas públicas, duas do sexo masculino e duas do feminino, e todas criadas pela Lei Provincial n. 44, de 12 de maio de 1846.
O seu porto é visitado duas vezes semanalmente pelos vapores da Companhia Jacuí, que são substituídos nos tempos de secas por lanchões ou canoas, indos os vapores unicamente até Taquari, onde baldeiam os passageiros e a carga para os lanchões.
Teve origem do forte de Jesus Maria José feito pelos portugueses em 1751 para defesa das provisões e armazéns do exército, e para cobrir a fronteira do Rio Pardo quando procediam à demarcação de limites em virtude do Tratado de Limites de 13 de janeiro de 1750. Porém só em 1769 se estabeleceram ali as primeiras famílias, que edificaram a Igreja com a invocação de Nossa Senhora do Rosário. Foi elevada à categoria de vila por Ordem Régia de 7 de Outubro de 1809 e à de Cidade pela Lei Provincial nº 3, de 31 de março de 1846.

REFERÊNCIA: SILVA, Domingos de Araujo e. Diccionario Historico e Geographico da Provincia de São Pedro ou Rio Grande do Sul. – Contendo a Historia e a descripção da Provincia. Rio de Janeiro: Casa dos Editores Eduardo e Henrique Laemmert, 1865.
OBS: Autor informa que encerrou o trabalho de pesquisa em 31 de dezembro de 1864.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

D. PEDRO II EM RIO PARDO – 1865 (2)


“Esteve o Monarca até o dia 28 em Porto Alegre, dia em que seguiu para a cidade do Rio Pardo, em cujo trajeto entretinha-se em desenhar diferentes vistas com aquela mesma habilidade e perícia com que traduziria a Ilíada de Homero, ou a Arte Poética de Horácio em seus respectivos originais. Chegou à cidade do Rio Pardo no dia 29, desembarcando pelas 6 horas da tarde. Incansável, sem que os incômodos inerentes à todas as viagens, como que prostram no abatimento as mais atléticas constituições, lhe fizessem a menor mossa; quando o corpo deveria estar exigindo descanso e repouso a tanta fadiga, o Imperador não se descuidou de ir antes de tudo à Matriz, e ajoelhar-se diante do Rei dos Reis, o Supremo Criador da humanidade. Finda que foi a oração, passou a visitar os estabelecimentos da cidade: tudo via, tudo examinava, de tudo inqueria, e a todos penhorava por sua admirável tratabilidade.
No Rio Pardo teve sua Majestade Imperial notícia de que o major de Voluntários da Pátria Felício Ribeiro se achava gravemente molesto. Pois bem: dirigiu-se e para logo à casa deste cidadão, a fim de visita-lo.
Esta visita é um dos mais notáveis episódios da viagem Imperial à Província de São Pedro do Sul! Sua Majestade falara ao mencionado major de forma que mais parecia um irmão dirigindo-se a outro irmão, do que um filho dos Césares a um seu súdito; e não só falava-lhe, como lhe dirigia frases de consolação, animava-o, dando-lhe conforto para que pudesse sofrer as dores da moléstia! O enfermo não tinha expressões com que significasse o seu reconhecimento, estava confuso diante da majestade bondosa, mas experimentou o benéfico influxo de tão honrosa visita, e certamente sentiu alívio a seus males... Este procedimento do Imperador foi verdadeiramente sublime, porque foi verdadeiramente evangélico!!...
Na cidade do Rio Pardo passou Sua Majestade Imperial o dia 29 de julho, e indubitavelmente bem gratas recordações lh’as despertou ele: era aniversário natalício da Sereníssima Princesa Imperial, a Senhora D. Isabel, que já tinha regressado da sua viagem à Europa.
No dia 31 partiu para Cachoeira, onde chegou em 1º de agosto.

REFERÊNCIA:
CRUZ, Gervasio José da. Uma página memorável da história do reinado do sr. D. Pedro II – Defensor Perpétuo do Brasil. Rio de Janeiro: Typographia Perseverança, 1865. Disponível em: www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handlelid/182902/000017387.pdf?sequence=1.
Acesso em 10/11/2018

sábado, 10 de novembro de 2018

D. PEDRO II EM RIO PARDO – 1865 (1)


A Guerra do Paraguai aconteceu de dezembro de 1864 a março de 1870. A Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai enfrentou o Paraguai, enfrentando a pretensão de Solano Lopes de conquistar terras na região da Bacia do Prata, para obter uma saída para o Oceano Atlântico. No desenrolar das operações, em 11 de junho de 1865 aconteceu a vitória dos aliados sobre os paraguaios na Batalha do Riachuelo. Mas a comemoração brasileira foi interrompida pela notícia da tomada de São Borja pelos paraguaios, em 12 de junho. A vitória paraguaia ampliou-se com a tomada de Uruguaiana, que foi reconquistada pelos aliados em 18 de setembro[1].
No desenrolar destas operações militares, a “Província do Rio Grande precisava então, mais do que nunca, de união e concórdia: infelizmente achava-se por esse tempo retalhada em partidos que mutuamente se hostilizavam; nossos mais aguerridos e valente generais não se entendiam; e, por outro lado, a presidência da província, segundo a notoriedade pública, testificada pela declaração que na câmara temporária fizeram os Deputados Rio-Grandenses, não oferecia bastantes e seguras garantias para desvanecer essas desinteligências, ou cortar essas dificuldades, o que todavia era urgente se fizesse sem demora, incontinente...
No meio desses acontecimentos, o Brasileiro por excelência, o Magnânimo Senhor D. Pedro Segundo, no seu estremecido amor pelo Brasil, repassava em seu espírito uma ideia grandiosa, ideia que ele tinha assentado realizar, fossem quais fossem os obstáculos, os empecilhos que se lhe pudessem contrapor.
A Província de São Pedro do Sul, dizia a sós consigo o Ínclito Monarca, a bela Província de São Pedro do Sul, está presa do inimigo: ´preciso repeli-lo, e para isto, de antemão preparar todas as coisas. Eu sou Brasileiro, e maldito fosse eu, se, tendo jurado a Constituição do Império, arca santa dos direitos dos meus caros súditos e patrícios, me deixasse conservar entre as delícias e os gozos da Corte, esquecendo os deveres de Defensor Perpétuo do Brasil!!... Não, é preciso que eu parta e partirei.” Ou seja: o Imperador D. Pedro II resolveu “partir para o teatro da guerra”, tentando, com sua presença, desfazer “as tristes dissidências entre irmãos”, naquele momento em que era preciso reagir à invasão do inimigo.
Foi advertido por seus Ministros do perigo a que ia se expor, mas mesmo assim foi irredutível e viajou para o sul no dia 10 de julho. Seguiu com ele o Duque de Saxe, e depois que chegou da Europa, o Conde D’Eu, ambos genros do Imperador.
Depois de passar por Santa Catarina, desembarcou em Rio Grande no dia 16 de julho. No dia 18 embarcou para Porto Alegre, de onde partiu no dia 23 para São Leopoldo e Novo Hamburgo, voltando ainda no mesmo dia a Porto Alegre, onde permaneceu até o dia 28 de julho, quando partiu para Rio Pardo.

REFERÊNCIA:
CRUZ, Gervasio José da. Uma página memorável da história do reinado do sr. D. Pedro II – Defensor Perpétuo do Brasil. Rio de Janeiro: Typographia Perseverança, 1865. Disponível em: www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handlelid/182902/000017387.pdf?sequence=1.
Acesso em 10/11/2018











[1] MAESTRI, Mario. Há 150 anos: a invasão paraguaia do RS – 10/6/2015. Disponível em port.pravda.ru/sociedade/cultura/10-06-2015/38843-invasao-paraguaia-o/
Acesso em 10/11/2018


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

DUMINIENSE PARANHOS ANTUNES


Em 6 de Julho de 1908, na cidade de Rio Pardo, nascia Duminiense Paranhos Antunes, filho de Cristiano Carlos Antunes e de Eugênia Paranhos Antunes. Funcionário Público Federal estabeleceu-se em Caxias do Sul onde, além de suas atividades profissionais, se dedicou ao jornalismo, com assídua presença nas colunas de nossos jornais. Destacou-se também como historiador, tendo pesquisado nosso passado e publicado várias obras, dando uma visão global a seu respeito. Além disto, foi poeta. Deixou uma bela família e de seus filhos, no campo literário, notabilizaram-se Helba Maria Antunes e Cristiano Carlos Carpes Antunes. Helba foi poetisa e escritora e faleceu muito jovem. Cristiano foi apreciado cronista social. Entre outras publicações, deixou: um livro de crônicas intitulado AS VÍTIMAS DO VÍCIO; SOMBRAS QUE FICAM, conjunto de poemas; RIO PARDO, CIDADE MONUMENTO; DOCUMENTÁRIO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE CAXIAS DO SUL; CAXIAS DO SUL, A METRÓPOLE DO VINHO, estes três de cunho histórico e, ainda, REMISSÃO, crônicas; RUMO À QUERÊNCIA, contos regionais; QUANDO O AMOR ENGANA, novela; FUGINDO DA FELICIDADE, também novela, e IDÉIAS INUSITADAS, crônicas.

REFERÊNCIA
Programa Radiofônico da Universidade de Caxias do Sul – Mensagem 7.10.1995 – Programa 654 – p. 2286 – Professor Mário Gardelin, da Universidade de Caxias do Sul

terça-feira, 6 de novembro de 2018

ACÂMARA DE VEREADORES E AS CHARQUEADAS



No passado, produzir carne salgada era uma atividade um pouco arriscada para a saúde pública. Não havia recursos técnicos para evitar o apodrecimento de tudo o que sobrava da matéria – prima necessária para fabricar o charque. Assim, sempre que a atividade era exercida na zona urbana, provocava reclamações de quem morava nos arredores.
Em 1847, por exemplo, houve reações contrárias à instalação de uma charqueada no Potreiro de Nossa Senhora do Rosário. Alega-se que “o estabelecimento de charqueada ali só traria peste aos habitantes”. Era normal que houvesse esse tipo de reclamação: os restos de animais usados para produção do charque cheiravam mal, atraia uma quantidade enorme de moscas, e a sujeira tomava conta dos “depósitos” de ossos e sobras não aproveitáveis. As pessoas chamadas a opinar diziam preferir uma olaria, para fabricação de telhas e tijolos, ou a instalação de um estabelecimento agrícola naquele local.
 No livro de registros gerais da Câmara, daquele ano, página 236, lê-se (...) se dignem de dar-me sua informação sobre a inconveniência da charqueada, que Rafael Pinto de Azambuja está formando no potreiro de Nossa Senhora, situado nas adjacências d’esta Cidade”.
 A preocupação da Câmara não se restringia às charqueadas, era mais antiga. Em 1834 já havia a preocupação com “a salubridade pública, abrimento de pontes e ruas e igualmente sobre as charqueadas, que se acham dentro dos limites da VILA”. Havia pretensões de um morador em instalar uma charqueada “ na boca da Rua de Santo Ângelo”.
Os vereadores preocupavam-se também com “os pântanos e podridões nos lugares da Vila" e com a qualidade da água, chegando a nomear comissão que examinasse os lugares onde se poderiam construir fontes que fornecessem água potável para a população.
Observa-se, pela documentação da Câmara, que as atribuições dos vereadores eram muito maiores do que hoje, uma vez que eram eles as autoridades encarregadas de praticamente todos os assuntos relativos à organização da comunidade.  Em relação às charqueadas, era ela o órgão responsável pela concessão de licença para conduzir o gado para os locais de abate, bem como a encarregada de fiscalizar o cumprimento de normas relativas à produção, como aquela que determinava que “os fazendeiros não podiam matar vacas nas charqueadas ou açougues, conforme Régia determinação, podendo ser condenados a pagar multas” se o fizessem.

FONTE: Livros de Registros Gerais da Câmara dos anos 1819/1834/1847 AHMRP