quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

UMA” SEMENTE” REPUBLICANA EM RIO PARDO


    Dois anos após a fundação do partido Republicano Rio- Grandense (1882) foi criado o Clube Republicano do Rio Pardo. Suas reuniões eram realizadas no Hotel Brazil, antiga sede da Prefeitura. O número de sócios do clube aumentava ano após ano. Ali surgiram figuras importantes para o movimento republicano, como Ernesto Alves de Oliveira, ferrenho defensor castilhista. Ele se tornaria o substituto de Júlio de Castilhos na direção do jornal A Federação. Destacou-se também como republicano Heráclito Americano de Oliveira. Foi de sua autoria o projeto para a aprovação da bandeira estadual. Além do órgão oficial do Partido Republicano, em Rio Pardo, no  ano de 1887 começou a circular um novo periódico regional intitulado “ O Patriota”, jornal que se identificava  com os ideais da causa.
     Às vésperas da queda Casa dos Bragança e Orleans, foi realizada no quinto (5º) distrito de Iruy, a Conferência Republicana. Ela foi presidida e idealizada por Ernesto Alves de Oliveira e relatada em A Federação em 4 de janeiro de 1889 conforme se lê no jornal “O Companheiro Ernesto discursou para um grande número de cavalheiros na casa  do comerciante  José Pascal, sendo o discurso  acompanhado com muita atenção por todos os que estavam no local. O nosso companheiro foi sempre ouvido com facilidade, com a qual outros têm querido hipotecar o braço do Rio Grande à causa ingrata dos Bragança e Orleans.”

FONTES: RIO PARDO 200 ANOS UMA LUZ PARA A HISTÓRIA DO RIO GRANDE

   JORNAL GAZETA DO SUL-RS/2008 -AHMRP

CASA DE JOÃO PEREIRA MONTEIRO

                                     
   João Pereira Monteiro foi Provedor - Mor da Irmandade dos Passos e militar de destaque, recebendo ao longo da sua vida profissional várias condecorações. Era muito estimado pela população rio-pardense, por seus atos de caridade. Seu nome esteve sempre ligado aos grandes empreendimentos da cidade, na sua época. Exemplo disso foi sua presença no ato de lançamento da pedra fundamental da Casa de Caridade, em janeiro de 1848.
   João Pereira Monteiro morava em um sobrado localizado na esquina das ruas Andrade Neves e João Pessoa. Sua construção majestosa era digna de abrigar tão ilustre personagem  de nossa história. Esse prédio aparece no cadastro feito por João Martinho Buff para a primeira planta de Rio Pardo, com título de concessão  a João  Pereira Monteiro  em 07 de junho de 1805.
   Pertenceu à família Cruzeiro e teve, ao longo  de sua trajetória, várias formas de ocupação. Uma das mais marcantes foi o funcionamento ali, por muitos anos, do Bazar Cruzeiro, como o sobrado é conhecido pela população. Hoje o prédio foi vendido para a Rede de Farmácias São João e  foi todo reformado.

FONTE: Guia Histórico de Rio Pardo, Dante de Laytano
              Arquivo Histórico Municipal-Memória Viva


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

RIO PARDO EM 1845 (1)

A Comissão nomeada por Vossas Senhorias para investigar que melhoramentos materiais precisa o Município, a fim de Vossas Senhorias poderem dar satisfação cabal do ofício de Sua Excelência o Senhor Presidente datado em 15 do passado, tem-se entregado com íntimo prazer às diligências precisas, e, convenientemente habilitada, ela vem hoje apresentar o resultado dos seus trabalhos. Da sua narração verão Vossas Senhorias pouco teve que agregar dos apontamentos que alguns dos seus membros, antigos Vereadores da Câmara transacta[1], consignaram em ofício de 6 de fevereiro de 1843 do mesmo Excelentíssimo Presidente da Província e na ata que empossou Vossas Senhorias.
O município, Senhores, se acha numa decadência espantosa. Os nove anos da finada luta não passaram vãmente sobre a nossa terra. Numerosas ruínas, fortunas devastadas o atestam de qualquer parte. Mas o Rio Pardo possui  para fortuna uma população morigerada e trabalhadeira, e meios naturais de rápido fomento. Muitos dos nossos Distritos eminentemente agrícolas, não carecem senão de medidas que os encorajem, e sobretudo de vias de trânsito e comunicação, para fazer com a sua riqueza, a riqueza geral do Município. Vede ai, Senhores, por que o primeiro olhar da Comissão virou-se para as nossas estradas, e as águas que as retalham. No seu entender, pois, os caminhos que cruzam desta Vila para Santo Amaro, e as costas do Taquari e Faxinais da Serra, devem merecer uma atenção especial e sérios cuidados de concerto. Ainda não estamos em estado de empreender estradas levadas a perfeição européia ou dos Estados Unidos, a Comissão conhece-o e sente-o palpavelmente, porém, Senhores, estradas próprias para os nossos carros e carretas, estradas que facilitem a extração do milho, da mandioca, e de outras produções desta interessante porção do Município são muito praticáveis, e só por grande desleixo poderá alguém reputá-las impossíveis. Nesse trânsito é verdade que se precisam várias pontes; os arroios do João Rodrigues, do Diogo Trilha e do Couto; mas essas pontes, Senhores Vereadores, são de construção fácil e singela. Em presença de necessidades urgentes e vitais o que nos cumpre é ver de remediá-las sem aspirar ao monumento, sem almejar construções grandiosas que mais ser vem de alimento a pequena vaidade de bairro, do que às verdadeiras precisões do povo, para quem, e para que somente, devemos ocupar-nos.
De ordinário a mais diminuta estrutura se reveste aos nossos olhos de proporções tão grandes, e por tanto de tais dificuldades, que afinal a deficiência de nossos meios nos faz cair em desalento, e à força de querer muito, concluímos por ficar sem nada. Não obstante, ninguém pense que a Comissão aconselha no interesse de uma mal entendida economia, essas construções efêmeras que só prestam para dar uma nomeada imerecida ao zelo dos que as empreendem, e cuja tênue duração torna-as nulas para o proveito daqueles em cujo serviço se dizem empreendidas. Esses arroios de pequeno caudal na sua maior parte, próximos ou cobertos de matas suficientes, dão muitas facilidades para se lhes lançar pontes sólidas, e cômodas, e de longa duração. A maior parte até de pedra podiam recebê-las sem causar maiores dispêndios, e um exame profissional, a Comissão confia que confirmaria estas ideias. Além disso tais empresas trazem consigo a sua recompensa, um ligeiro tributo de passagem ressarciria em pouco tempo o seu importe, e os Cofres Provinciais  ficariam quites por um simples adiantamento dos seus fundos. Isto, dado que não se julgasse preferível arrematar a empresa, ou que, caso impossível, não se achasse concorrência suficiente para elas. De todas estas pontes, porém, as do Couto primeiramente, e depois a do Diogo Trilha são da maior necessidade, e mesmo as mais custosas. A do Couto necessita trabalhos de esgotamento e uma calçada para a vargem deste lado, intransitável em ocasiões de chuvas, e a do Trilha iguais trabalho e talvez mais uma ponte para o Lagoão que desta banda impede o trajeto mais obstinadamente ainda do que o mesmo arroio. A Comissão reduz-se a fazer apontamentos; nem se acha habilitada, nem fez exames suficientes; nem tão pouco foi nomeada para indicar o melhor modo de se conseguir essas obras. Talvez uma mudança de local, uma nova linha, um pequeno círculo, bastem a remover ou diminuir as dificuldades que se antolham à primeira vista, e aumentar as vantagens e proporções que já para as construir existem.
Referências:
Documento avulso nº 5 (Caixa Nº 46 – Documentos Avulsos – 1845) do acervo do Arquivo Histórico Municipal de Rio Pardo
OBSERVAÇÃO: Documento transcrito com ajustes ortográficos.



[1] Que já passou

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

JORNAL DE RIO PARDO, 16/8/1953, nº 145 - Diretor: Biagio Tarantino



Há 63 anos atrás noticiava...

A Firma Irmãos Breves vence a concorrência para a construção da Ponte sobre o rio Jacuí, obra orçada em Cr$ 17.300.000,000, com conclusão prevista para 750 dias. Segundo o General Manoel Azambuja Brilhante: “Com a localização da ponte em Rio Pardo, esta cidade, dentro de 20 anos, será como Budapeste.”
PASSO DO SOBRADO – O distrito de Passo do Sobrado, constituído quase que exclusivamente de descendentes de alemães, é uma das zonas de maior produção de fumo. Existem vários outros produtos, pois a população se dedica diuturnamente ao trabalho agrícola. No setor educacional, o Distrito está relativamente bem servido. Porém, é lamentável o estado em que se encontram as estradas deste Distrito.
CONSTRUÇÃO DO MATADOURO – Frigorífico da Cooperativa Pastoril Rio Pardo Ltda. Houve uma proposta de construí-lo em São Jerônimo, mas foi veementemente rejeitada. Fazendeiros rio-pardenses não aceitaram idéia, emprestando seu inestimável serviço até o término da construção do Matadouro Frigorífico e decidir se será executada pelo Instituto de Carnes ou pela própria Cooperativa. Telegrama do Presidente da FARSUL, Sr. Ricardo Wagner, informa: “Tivemos comunicação Loureiro da Silva assegurou financiamento Entreposto Cidade Rio Grande, bem como garantiu financiamento matadouro frigorífico desta cidade.”
PUBLICIDADE DA PÁGINA – Casa Mailaender – Santa Cruz do Sul – Motores Diesel, Refrigeradores a Kerosene, material para lavoura, ferragens em geral. Sortimento – Preços – Qualidade; - Casa Juca – vende-se trator Massey-Harrys
ANIVERSÁRIOS – 16/8/1953 – Fazem anos hoje: Srs. Mario Lima Coimbra, Nicolau Provintina, José de Sá Bastos, Srta. Zoraide M. da Rosa e o menino Osni Correa Mattos
20 DE JULHO – Foi ao ar, pela primeira vez, pela ZYU – 35, o programa radiofônico criado pelo Jornal de Rio Pardo – Repórter U-35 – no horário das 18h45min, sob direção do Sr. Jorge Comassetto
MAIS UM BREVETADO – Pela Escola de Pilotagem do Aeroclube de Cachoeira do Sul o jovem rio-pardense Felipe Noronha, do Aeroclube local. Ele foi o quarto piloto rio-pardense. Pela Escola de Pilotagem do Aeroclube de Santa Cruz do Sul, Rony Deppermann Moreira prestou exame.
PUBLICIDADE DA PÁGINA – Casa Xavier – Modas Wolens, fatiotas para homens pelos últimos figurinos e corte esmerado, por preços de abismar; Expresso Águia Branca – Viagens rápidas e confortáveis entre Rio Pardo e Porto Alegre e vice-versa, nas terças, quintas e sábados. Saída às 6h, regresso às 17h, exceção dos sábados, em que o regresso é às 13h15m; Casa Juca, de J. M. Borges; Casa para Todos – grande sortimento de capas, chapéus, sapatos, botas, fatiotas e capas reversíveis; Walmor Strada – instalador de água a domicílio; Navegação Minerva – despache suas mercadorias. De Mario Moreira.
O PRECEITO DO DIA – Óculos impróprios e olhos tortos – Óculos impróprios tendem a causar olhos vesgos, tortos ou estrábicos, e cada vez mais se enfraquece a visão do olho defeituoso.
CINE COLISEU – Sexta-feira – Sábado – Domingo – O Direito de Nascer, o filme que o mundo esperava. Ingressos: Cr$ 6,00 e Cr$ 3,00.
LINHA DIÁRIA A PORTO ALEGRE – Novo Expressinho – 17 passageiros, de segunda a sábado.
NAVEGAÇÃO NASCIMENTO
ELETROLAS PHILIPS
WALDIR MOREIRA E CIA. LTDA. – Bombas Mernak para a lavoura
BELAS ARTES – Esteve nessa cidade o adiantado aluno da Escola de Belas Artes, Luiz Radonsky, colhendo dados e documentação fotográfica para ilustrar importante estudo sobre o patrimônio histórico e artístico de Rio Pardo, cujo manancial ainda existente está chamando a atenção dos estudiosos do país.
NOVA DIRETORIA DO GINÁSIO – No dia 13 de agosto assumiu a direção do Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora a Reverendíssima Madre Luizinha, que veio substituir a Reverendíssima Maria Evanira, que acaba de ser nomeada Secretária Geral da Congregação.
ESPORTE – Couto F. C. viaja para Santa Cruz para enfrentar o Juventude F. C. de Candelária
                   - Municipal F. C. entusiasmado pela brilhante vitória sobre o Malet, em Cachoeira do Sul, com escore de 2 x 1.
                  - Partida preliminar no Estádio Municipal: Agrícola X Corintians

                  - Torneio de Bolão – União, Círculo Operário e Literário, Grupo de Bolão, Gororoba, Tempestade

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

GOMES FREIRE DE ANDRADE DESCOBRE O PODER DO CHIMARRÃO



                Após a assinatura do Tratado de Madri, durante as expedições para demarcação das novas fronteiras do Rio Grande do Sul, os portugueses localizaram ervais missioneiros. O Governo Português providenciava a implementação de políticas que permitissem incentivar a migração de índios missioneiros para o lado português, aumentando o número de seus súditos e possibilitando povoar as terras limítrofes com os espanhóis.
                Um dos principais responsáveis por desenvolver este programa de incorporação missioneira foi Gomes Freire de Andrade, o mesmo que determinou a construção do forte que deu origem a Rio Pardo. Durante a campanha de demarcação e combate aos índios missioneiros que se revoltaram contra a ordem de entregar suas terras aos portugueses, Gomes Freire tornou-se um adepto fervoroso do uso do chimarrão. Em 1755 enviou carta para o Secretário de Estado dos Negócios Ultramarinos, Diogo de Mendonça Corte Real elogiando a bebida:
                “Eu padecia dores causadas das inumeráveis areais que hei lançado há dois anos que uso desta excelente erva; os primeiros quinze dias, que tomei o mate (assim chamam a porção que se toma pela manhã na Cuia) tive bastante incômodo, entendi foi pelo remédio as abalar, e despegar, continuei a lançá-las monstruosamente, diminuíram-se logo as dores de Rins, e perdi as que me embaraçavam o movimento das pernas, ficando como se tal queixa não  houvesse padecido. O mesmo efeito observei em muitas pessoas, que nestas Tropas, padeciam a mesma queixa; também a de gota não há dela memória em que pessoa que usa o tomar esta bebida, a que há neste País tanto da parte de Castelhanos como da nossa é hoje comum e geral.” E, mais adiante, completa: “Vai um surrão pequeno com erva e vai uma memória que expõe a forma porque se usa; se eu tiver a felicidade de que ela possa dar algum alívio a V.ª Ex.ª, participe-me para continuar a remeter erva (...).”

FONTE:
ECKERT, José Paulo. O povo dos hervaes – Entre o extrativismo e a colonização (Santa Cruz, 1850 – 1900). São Leopoldo, 2011. Dissertação de Mestrado em História. UNISINOS. P. 31-3. Disponível em:

www.repositorio.jesuita.org.br/bitstream/handle/UNISINOS/4086/60.pdf?sequence

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

UM IMPERADOR NO RIO GRANDE

Pedro II, aos 20 anos de idade, 1846Resultado de imagem para IMAGEM D. PEDRO II E TERESA CRISTINATeresa Cristina, aos 24 anos de idade, 1846


http://daquinarede.com.br/2015/10/dom-pedro-ii-o-sacristao-e-a-lestada/

A 1º de março de 1845, em Ponche Verde, município de Dom Pedrito, era assinada a paz no Rio Grande, pondo fim à luta fratricida que já durava 10 anos, entre imperiais e farroupilhas rio-grandenses. Não houve vencidos nem vencedores. Eram todos brasileiros. Foi uma paz honrosa para ambos os lados – uma solução estratégica encontrada pelo Barão de Caxias, para exaltar o brio e o valor do povo gaúcho, como se vê na sua proclamação ao Rio Grande do Sul: “Uma só vontade nos una, rio-grandenses! Maldição eterna a quem recordar-se das nossas dissensões passadas.”
O imperador Pedro II, embora no verdor da idade, mas impregnado de profundo sentimento patriótico, desejoso da união de todas as províncias, manifestou o desejo de visitar o Rio Grande do Sul sem ódios nem rancores. Dom Pedro II nutria uma certa admiração pelos pampas. Sua presença entre os rio-grandenses traria, por certo, esse condão mágico de solidificação da paz.
A 21 de dezembro de 1845, acompanhado da imperatriz e de grande comitiva imperial, chegava a Porto Alegre. O então tenente-coronel Manoel Luis Osório, comandante do 2º Regimento de Cavalaria, em Bagé, prestou a Guarda de Honra ao Imperador. Tudo preparou. Aguardou o Imperador em Rio Pardo, com seu luzido regimento, todo montado em cavalos brancos, que impressionou o monarca por deslumbrante apresentação. Era um regimento de elite.
A 13 de janeiro de 1846, chegava Pedro II a São Gabriel, hospedando-se no velho sobrado da Praça da Matriz. O Imperador impressionava a todos pelo seu porte másculo, faces coradas e barbas loiradas, combinando esplendidamente com os galões do uniforme. De todas as partes, chegava gente para ver e admirar o grande imperador adolescente, com apenas 20 anos.
Festas se repetiam numa fulgurante apresentação organizada por comissões especiais. Mas o monarca tinha pressa. Assistiu à Missa na Igreja do Galo e visitou o Forte de Caxias, onde recebeu honras militares. Entre tantas homenagens, imperador se achava inquieto. Queria ver o gaúcho do campo no seu habitat, certificar-se in loco da pacificação da família rio-grandense. Então, foi-lhe oferecida uma festa campeira na estância da Caieira. Ali viu a gauchada nos seus próprios pagos, onde lhe brindaram com uma festança campeira: gineteadas, carreiras a cavalo, tiros de laço e de boleadeiras, danças e cantigas em desafio, recitações poéticas, churrascos e outras oferendas da hospitalidade campeira.
O imperador pouco se detinha. Era um psicólogo de multidões. Andava de grupo em grupo, a conversar e indagar das pessoas sobre a paz, ouvindo de todos uma manifestação fraterna de sentimentos recíprocos. Os rio-grandenses estavam cansados de guerrear, e a presença do imperador apagou os últimos vestígios da árdua luta em que viveram por quase uma década.
Dom Pedro II, plenamente satisfeito, convencera-se com seus próprios olhos e o sentir dos corações tão amáveis e respeitosos que o cercaram de que a paz, como ele desejava, estava consolidada, e o Rio Grande do Sul voltara a se integrar definitivamente ao império brasileiro.
São Gabriel foi grandemente contemplada com a visita do Imperador. A 4 de abril daquele ano, elevou-se à categoria de vila, desmembrando-se de Caçapava e elegendo a sua primeira Câmara de Vereadores.
FONTE:
FIGUEIREDO, Osório Santana. Zero Hora, 16/10/1999, Caderno de Cultura, p. 6.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

MEMÓRIAS HOTEL BIAGIO TARANTINO


A memória humana às vezes é traiçoeira. Era muito fácil esquecer uma data ou nome. Mas s fatos importantes, ou pitorescos, ficam. E foram estes fatos que a Dona Zilda e a Dona Mery nos contaram, quando  relembraram as histórias do hotel.
Na época, havia aqui o 13º Regimento de Cavalaria. Vários Oficiais deste Regimento eram inquilinos do hotel. Uma das outras era reservada para uso destes oficiais e suas famílias. A família Tarantino conviveu com o major Furtado, e sua esposa, dona Mariana. Ele fizera um estágio na Alemanha e viera assumir o comando do Regimento.
No inicio dos anos 40 e movimento no hotel foi muito intenso. Uma grande enchente transformou Rio Pardo numa verdadeira ilha. O Jacuí transbordou, as águas do Rio Pardo chegaram até a estação ferroviária e, em  Ramiz Galvão, Arroio do Couto emendou com o Rio Pardo. Os  barcos que atacavam no porto do Jacuí ficavam presos por vários dias. E as tripulações se hospedavam no hotel. Era tanta gente, que às vezes era preciso colocar colchões até nos corredores. Biagio percorria as fazendas, no interior, para abastecer a cozinha do hotel com carne de galinha, ovos, leite e manteiga.
E o sorvete do hotel?! Era feito à base de leite e algumas gotas de essência eram suficientes para dar sabor de fruta ao gelado. Conservado em grandes recipientes contendo gelo e sal, era saboreado na beira da calçada. O hotel foi praticamente a primeira sorveteria da cidade.
A Rua do lado do hotel era o ponto de parada do ônibus que chegavam à cidade. Os carros de praça-nossos primeiros táxis- esperavam pelos passageiros na frente do hotel, do outro lado da rua.
Agradecemos a Dona Zilda Comasseto e a Dona Mery Tarantino Panattieri por terem compartilhado suas lembranças conosco.

FONTE: Memória Viva, Jornal Gazeta do Sul,2000.

                 AHMRP