quinta-feira, 31 de outubro de 2019

ERVA - MATE ALDEIA DE SÃO NICOLAU


2ª Parte      


O requerimento das mesmas havia sido feito ainda na época em que o conde da Figueira governava a capitania (1818-1821). Mas, entre 1834 e 1835, Elautério Rodrigues Lima  requereu uma medição e demarcação do terreno dos ervais, “vindo ele ficar Sr. de todos eles, porque se lhes mediram três léguas de matos que abrangeram todos aqueles ervais e até o mesmo que se lhe havia comprado para essa aldeia em 1825”. Havia a justificativa de que os cofres provinciais e mesmo os índios, não dispunham de recursos para pagar as despesas feitas com os engenheiros que mediam os terrenos. Apesar disso, a medição acabou sendo efetuada e os índios trabalharam nos ervais por cerca de três anos, sem que Elautério Rodrigues Lima se opusesse. Quando ele requereu a posse e o uso daquelas terras apenas para si, o vice-presidente da província mandou proceder a reivindicação daqueles ervais por meios judiciais, através da promotoria pública. Isto embargou o trabalho dos índios e atrasou a produção “por falta de meios para semelhantes despesas, e por este motivo, não se tem feito erva alguma”.
No entanto, a medição das terras dos ervais não era a única dificuldade que eles enfrentavam para manter as atividades de produção da erva-mate. Tentativas de arrendar outras terras para continuar com a produção foram frustradas, motivo pelo qual, “veem-se os naturais do Brasil, primários e senhores de tão grandes matas sem terras onde fabriquem uma arroba de erva-mate para seu consumo”, de acordo com o diretor do aldeamento. À medida que as terras  dos ervais eram vendidas ou apropriadas por particulares, políticos e militares, como veremos adiante, as condições dos guaranis de São Nicolau do Rio Pardo ficavam mais difíceis. As tentativas  de tomada de suas terras foram muitas e causaram confusões envolvendo a posse das mesmas pelos índios. Por outro lado, parecia haver outras maneiras de continuar nas atividades com a erva-mate, como nos dá indícios o relato do padre Ambros Schupp, escrito no ano de 1875 (SCHUPP,2004, p. 106). Segundo ele, a zona de planalto, ao norte de um dos afluentes do Rio Pardo, era “povoada por brasileiros, ocupado-se do cultivo de ervais(erva do Paraguai)e a fabricação da erva-mate. São conhecidos como ervateiros ou carijeiros, e o produto de seu trabalho é a erva-mate… A zona de planicie, ao sul, se mostrava prospera, pois era ocupada por alemães. O padre fez uso do clima e da geografia do terreno para estabelecer diferenças étnicas e nacionais entre pessoas com diferenças culturais, um discurso típico para uma época em que a experiência humana podia ser compreendida a partir de escalas evolucionistas ligadas a uma seleção que a própria natureza era capaz de fazer do seres humanos, daí a relação entre clima e cultura. Uma diferença entre brasileiros/ ervateiros/ carijeiros e alemães foi estabelecida tendo como parâmetro o produto da atividade agrícola `a qual se dedicavam naquele território. O uso do termo carijeiros é interessante quando levamos em conta outros usos já feitos do etnônimo carijó no passado( MONTEIRO, 1994,p. 165):
Originalmente, desde meados do século XVI, o etnônimo carijó referia-se aos guarani em geral, objeto principal tanto dos paulistas apresadores de escravos, quanto dos missionários  franciscanos  e jesuítas da América espanhola e portuguesa. Até 1640, a sociedade paulista foi marcada profundamente pela chegada de um fluxo constante de cativos guarani, provenientes sobre tudo do sertão dos Patos e do Guairá.
 Segundo John Manuel Monteiro, a introdução do termo carijó no século XVI pode estar relacionada com estratégias de padronização  de populações a partir do modelo do cativo guarani.Tais padronizações vinculadas ao uso de uma categoria étnica refletem táticas políticas e “ um processo histórico envolvendo a transformação de índios em escravos” (MONTEIRO,1994, p. 166).É claro que o contexto onde o padre Schupp fez uso do termo carijeiros era bem diferente, entretanto, pode ser que as terminologias de carijeiros e ervateiros também apontassem para a reconstituição de uma identidade indígena. Este contexto em que os índios foram vistos como “mestiços” ou “misturados” coincide com o momento em que a sua extinção e a de seus aldeamentos era tomada como inevitável, além de imprescindível para que pudesse haver o loteamento das terras para outros grupos sociais. Na pluma do padre Ambros Schupp, na zona habitada por alemães, reinavam o trabalho e o “empenho em promover a cultura”. Em contrapartida, na área habitada por indígenas, as pessoas viviam em choupanas miseráveis”(SCHUPP,2004, p. 107):
Comem quando tem alguma coisa e sabem passar fome quando de nada dispõem. Divertem-se com as carreiras e os fandangos. Em sociedade circulam a cuia e a bomba com chimarrão fervente. Não sentem necessidades religiosas, suas capelas não passam de choupanas de tábuas, através das quais assobia o vento.
A presença de guaranis no vale do Rio Pardo e o processo histórico de construção das suas identidades estiveram ligados à produção de erva-mate e a presença dos alemães. Além disso, mesmo de maneira enviesada, os índios aparecem como lavradores no cultivo da erva-ervateiros, no relato do pároco. Todavia, os guaranis se relacionaram não apenas com colonos alemães, mas como outros indígenas, como os Coroados. A zona alta à qual o padre se refere é a região da serra do Botucaraí. A picada do mesmo nome ligava a cidade de Rio Pardo à região de Passo Fundo, onde ficavam os aldeamentos de Nonoai e Guarita. Diversos tipos de contato aconteciam entre esses aldeamentos. Em 1850, por exemplo, o diretor de Nonoai e Guarita informaram ao presidente da Província que conhecia bem as vantagens que se poderia tirar dos ditos aldeamentos. Afirmou que não seriam a Companhia de Pedestres ou a de polícia que iriam impor “respeito aos índios”, mas sim quem os ensinasse “a trabalhar na lavoura e fábrica de erva-mate”. Ou seja, indígenas Coroados aprendiam a cultivar a erva justamente no momento em que as disputas de terra em São Nicolau do Rio Pardo ficaram acirradas e os guaranis praticamente haviam perdido os ervais, possibilitando contatos e trocas e saberes entre os índios de Guarita, Nonoai e São Nicolau do Rio Pardo.
Ponto importante a ser observado na formação das identidades étnicas nesse período é que grande parte das ações dos índios guaranis indicam que a reivindicação de seus direitos tenha sido feita com base no acionamento de uma identidade coletiva, a de índios aldeados (ALMEIDA, 2005, p.237). Os usos que fizeram dos espaços dos aldeamentos podem ter sido muito variados. Neste caso específico, a própria condição de “índio aldeado” pode ter se apresentado como uma possibilidade de continuar com as atividades ligadas ao cultivo e à produção da erva-mate. Tal condição pode ter sido acionada em momentos críticos como algo representativo de sua própria identidade, já que dela prescindiam para serem diferenciados dos demais “nacionais”, estrangeiros e indígenas. O que quero sugerir é que, num momento em que suas terras estavam sendo usurpadas e, por vários motivos, os índios estavam sendo impedidos de prosseguir nas atividades com a erva-mate, a condição de aldeados pode ter se apresentado como uma alternativa viável, mesmo que implicasse na ida provisória de guaranis para um aldeamento de caroados. Esses contatos não eram exatamente o que se pode chamar de uma novidade para os índios. De acordo com Jean Batista, “povoados missionais foram compostos por uma diversidade de grupos étnicos significativos na geração, desenvolvimento e complexidade daquela experiência”. (BAPTISTA, 2009, p.226).
É necessário reconhecer, ainda de acordo com o autor, a “diversidade como característica fundamental daquele processo em conjunto à avaliação de significativas transformações identitárias oriundas do contexto” (BAPTISTA, 2009, p.226).

Pés de erva com flores

FONTE: Na Fronteira do Império, política e sociedade na Rio Pardo oitocentista. Melo Karina Moreira Ribeiro da Silva e. EDUNISC, 2018, p.15/19.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

EU AMO RIO PARDO - CIDADE HISTÓRICA


 Restaurante Flutuante Costaneira, em Rio Pardo serve o melhor peixe da Região. Novo Mirante  à beira do Rio Jacuí,
Restaurante, no Rio cheio
lugar lindo para passar um fim de tarde e junto tomar um chimarrão.


Mirante a beira do Rio Jacuí
Vista do Restaurante e Mirante, no Rio Jacuí

COLÉGIO DR. APOLINÁRIO DE BORBA - COLÉGIO COMERCIAL


HISTÓRICO

Coordenador Geral: José Gomes Lisbôa     Diretor Comercial: Norberto Figueiras

 ANO: I      Rio Pardo – Maio de 1963      Nº 01   ** Em 09 de julho de 1960 foi fundado em Rio Pardo o Setor Municipal de Educandários Gratuitos, ficando sua diretoria assim constituída:

Presidente: Ernesto Protásio Wunderlich
Organização dos Estudantes
Vice- Presidente: Romualdo Mânica
1º Secretário: Fredolino Limberger
2º Secretário: Carlos J. Pereira
Tesoureiro: Arno Oscar Henn
 Aos três de abril de 1961, as 17 horas na Escola Normal “Ernesto Alves”, realizou-se  a instalação da Escola Técnica de Comércio Dr. Apolinário de Borba, com a presença de Autoridade, professores e alunos.
De então pra cá, o, agora, Colégio Comercial teve os seguintes diretores: Dr. Luiz Magalhães Ferraz, Dr. Ary Marcola, Dr. Elly Bender.
 E, é atualmente seu Diretor o Dr. Cléo Freitas.
O seu corpo docente é assim constituído: Sr. Zilmar Rocha, Sr. Fabiano Scultze, Dr. Elly Bender, Dr. Cléo Freitas, Dr. Roberto G. C. Silva, Dr. Fernando Bandeira Wunderlich, Dr. Léo Roberto F. Wunderlich, Sr. Albino T. Braunn, Sr. Erny S. da Chagas, Professora Adir Azeredo, Sr. Antônio C. D’ávila, Dr. Enio Gomes Aquino e Sr. Cecílio Corrêa Lima.
A atual diretoria do Setor Municipal da CNEG, escolhida a 8 de março de 1968 é composta pelos seguintes elementos: Presidente Dr. Fernando Bandeira Wunderlich, Vice-Presidente:Nelson Rodembusch,  Secretário Léo Sigal, Tesoureiro Gustavo Gerhardt.

PATRONO DO COLÉGIO 
Dr. Apolinário Francisco de Borba nasceu nesta cidade, aos 23 dias do mês de julho de 1885.
Sues pais foram Francisco Antônio de Borba Filho e Ana Josefina de Brito Borba, que tiveram 13 filhos, estando vivos apenas 3: Manuel Borba, func. Público estadual, Joaquim de Brito Borba func. Da Viação Férrea e Maurícia de Borba Figueiredo, viúva.
Apolinário Francisco iniciou seus estudos em Santa Cruz do Sul, no Colégio Sinodal, terminando em Porto Alegre.
 Formou-se advogado pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio Grande do Sul, em novembro de 1907.
 Advogou, aqui, em Rio Pardo durante 46 anos, estendendo seu trabalho por Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul e outras cidades vizinhas.
Pelo período de 43 anos foi Consultor da Prefeitura de nossa cidade e isto gratuitamente.
A modéstia, virtude dos grandes homens, era atributo seu. Jamais fez questões de honras.
Sendo colega de turma do Dr. Getúlio Vargas, este quando no poder, várias vezes o convidou para assumir cargos no Governo Federal, sempre declinou dos convites, permanecendo como simples advogado.
Morreu em 17 de outubro de 1953, deixando 3 filhos; 2 advogados e uma filha professora, hoje aposentada.
Sua vida foi serena e honrada como a dos simples, podendo servir de exemplo para nossa mocidade.
 MARIA FETZNER

MENSAGEM AO PROFESSOR GENEGISTA
Nas convulsões de um mundo que se repele e se arma e se agride; nas convulsões de uma época em que forças potenciais se digladiam, fazendo pairar corpos e algumas, a sombra dos cogumelos atômicos, o fantasma de um cataclismo poderá fazer da Terra apenas uma enorme e fumegante sepultura; nas convulsões do pavor e da incerteza do amanhã, quando tudo parece integrar-se nesse desmantelamento de todas as edificações do homem, baseadas na Paz, Igualdade e Fraternidade humana, ainda há os que se preocupam com a única forma de evolução racional- a Educação. E, entre esses, um punhado de brasileiros, vanguardeiros deum movimento sem par - a CAMPANHA NACIONAL DE EDUCANDÁRIOS GRATUITOS O PROFESSOR CENEGISTA é, antes de tudo um patriota. Não ensina como se deve empunhar um fuzil, nem como acionar botões para disparos de mísseis balísticos, nem como destruir seus semelhantes.  No seu laboratório anônimo, ensina como o homem deve empunhar a si mesmo na luta pelo progresso e na defesa de sua própria sobrevivência.
E, num amanhã radiante de Paz, Igualdade, e Fraternidade, sem fronteiras, sem quaisquer discriminações, quando não mais houver os dois piores males do homem – a ignorância e a fome, é possível que um monumento seja erguido ao PROFESSOR CENEGISTA que nele se escreva apenas uma pequena frase – IMORTALIZOU-SE PORQUE EDUCOU. OUT.62 “O CENEGISTA”.

O QUE É CNEG?
É, segundo Raquel Queiróz, “ uma das entidades mais sérias deste país”. (O CRUZEIRO 10/2/1962)
Sua finalidade é a fundação e manutenção de educandários gratuitos no Brasil, sendo reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal.
Aceita a ajuda do Poder Público, mas conta, principalmente, com a contribuição de particulares.
Não admite discriminação de ordem econômica, social, religiosa ou racional.
A Campanha Nacional de Educandários Gratuitos tem sua sede no Rio de Janeiro, mas seu campo de ação abrange todo o país, acendendo novas luzes que sem isso ficariam nas trevas da ignorância.
Devemos nosso apoio à CNEG, e estaremos, como patriotas, ajudando a soerguer o Brasil.

ORIGEM DA CNEG
Felipe Tiago Gomes, ao ler o Drama da América Latina, de John Gunther, ficou impressionado com a experiência de Haya de La Torre. Este líder peruano criara, em seu país, escolas de alfabetização para os índios, tendo como professores, estudantes que lecionavam gratuitamente.
Se o Peru fora possível a criação de cursos primá-gratuitos, então também, seria possível, aqui no Brasil, a criança de cursos secundários nas mesmas condições. Assim raciocinou Felipe Tiago Gomes.
E, partindo dessa ideia, conseguiu mobilizar, a custo de muita tenacidade, a opinião pública. Venceu óbice que a muitos parecia loucura querer vencer e´ hoje, a CNEG conta com mais de quinhentos educandários espalhados por todo o Brasil, entre eles podemos citar, para orgulho nosso, o Colégio Comercial Dr. Apolinário Francisco de Borba, desta cidade, funcionando provisoriamente no prédio da Escola Normal Ernesto Alves.

FONTE: REPORTAGEM DO JORNAL “O APOLINÁRIO", AHMRP.
Material que foi doado da Antiga Escola 


 



terça-feira, 29 de outubro de 2019

ALDEIA DE SÃO NICOLAU DO RIO PARDO


1ª parte
Antiga Igreja São Nicolau

... A ERVA – MATE

Em 1823, o índio Miguel Guaraci saiu da Aldeia de São Nicolau, onde era capitão, para ir à Rio Pardo encaminhar à presidência da Província um documento no qual manifestava a preocupação de indígenas Guarani com o futuro de suas terras e atividades comerciais e agrícolas. Através de um requerimento, ele solicitou que o privilégio da extração da erva- mate fosse mantido. Ao alegar que o privilégio havia sido concedido há mais de cinquenta anos por ordem do governador que atuava naquela época, José Marcelino de Figueiredo, Miguel demonstrou que os índios pensavam sobre o futuro e conheciam sobre seu passado. O governador havia se preocupado com a fuga dos índios e índias e era consciente dos fluxos e dos paradeiros deles. Tentou reunir índios dispersos no aldeamento de São Nicolau de Rio Pardo concedendo aos aldeados o monopólio do Plantio, colheita e comercialização da Erva-mate. Assim, quando o despacho dado pelo governador era infringido por aqueles que, nas palavras de Miguel, “não pertencem à sua classe”, a erva-mate era apreendida. De acordo com ele, o privilégio outrora concedido era necessário para a manutenção das despesas dos índios. A menção de pertencimento a uma “classe” que era entendida como “sua” por parte do capitão da Aldeia é interessante, visto que ele estava acompanhado por “lavradores” de acordo com o título do requerimento. As relações de produção das quais os índios participavam e o tipo de trabalho que realizavam foi levado em conta quando se organizaram para fazer o requerimento. O cultivo e o comércio da erva-mate foram atividades de destacada importância econômica da Província. É importante levar em conta que a erva era um produto que (Garavaglia, 1983, p. 37)

en un momento determinado de La vida de La sociedad indígena era consumido casi exclusivamente com fines ceremoniales y religiosos y que debia estar,por ló tanto, rodeado de um cierto halo prestigioso, AL cortarse muchos de lós primitivos lazos culturales que limitaban su utilización ritual, era medicina mágic expande rápidamente su consumo em amplios sectores indígenas e inmediatamente mestizos.

Durante o século XVIII e XIX, o consumo de erva-mate se estendeu por praticamente todo o território da Província e o costume indígena se tornou um hábito cultural entre os demais habitantes, como mencionou o viajante francês Augusto Saint-hilaire em várias passagens do seu diário de viagem. A erva-mate estava amplamente difundida entre aqueles que não eram guaranis. Mas a aura de prestígio e os laços culturais ligados aos seus costumes se transformaram. As ervas de melhor qualidade costumavam ser exportadas para Buenos Aires, onde os membros da elite se diferenciavam dos demais consumidores através do material de que eram feitas suas bombas e cuias, entre eles o ouro e a prata (Garavaglia, 1983, p.37). Contudo, relações sociais que envolviam posições de prestígio e privilégio continuaram a fazer parte dos novos rituais de consumo da bebida e do processo de fabricação. De acordo com Avé-Lallemant, outro viajante que passou pela vila algumas décadas depois, o lugar mais agitado de Rio Pardo era uma grande fábrica de mate, onde um grande número de arrobas eram diariamente preparadas para a venda em Beunos Aires(AVÉ-LALLEMANT,)1980,p.167).
O senso comum que costuma vincular os índios à inaptidão para o trabalho e ao atraso ainda está presente em alguns livros de história. Porém, os indígenas de São Nicolau do Rio Pardo não pareciam estar tão afastados do que era tido como o progresso da região. Afinal, o monopólio do plantio, colheita e comércio da erva- mate foi um privilégio concedido e a eles ainda no século XVIII e continuou sendo uma das principais atividades comerciais de Rio Pardo ao longo do século XIX. Eles usaram estratégias variadas para garantir a exclusividade no trabalho com a mesma. De acordo com Miguel Guaraci, as terras na terras na serra geral, onde guaranis cultivavam a erva mate, estavam sendo divididas em lotes dados ou vendidos a diversas pessoas. Os índios de São Nicolau do Rio Pardo sentiram na prática os efeitos da lei de 1822, com a qual “extingue-se a doação de sesmarias no Brasil e intensifica-se, dessa forma, a posse desordenada e a aglutinação de terras por particulares” (KLIEMANN, 1986, p.18). Miguel reivindicou o privilégio sobre a produção e o comércio da erva-mate e, ao mesmo tempo, requereu o controle e a posse sobre as terras do aldeamento. Tal controle se tornava possível através do acionamento dos diferenciais que garantiam a eles privilégios e direitos. A s referencias feita por Miguel aos pretéritos e o conhecimento que ele possuía sobre as experiências coletivas pelas quais o aldeamento havia passado o ajudou a atuar na administração daquele território, contribuindo para que a aldeia permanecesse sendo um espaço utilizado por índios guaranis ao longo dos três primeiros quartéis do Oitocentos. Ressaltamos que, se São Nicolau do Rio Pardo foi um espaço eminentemente indígena no decorrer do século XIX, isso também se deu graças ao acionamento de uma identidade coletiva. As vendas e as apropriações das terras e das propriedades tidas como patrimônio do aldeamento começaram a ocorrer, sobretudo, após 1820, conforme as fontes consultadas. Em 1823, Miguel também questionou se os demais “nacionais” poderiam utilizar as terras da serra, onde estavam suas plantações, para a finalidade de comercializar a erva-mate, já que o monopólio pertencia aos índios. Nesse período, grande parte das disputas pela posse de terras e territórios de Rio Pardo se dava entre os índios e os “nacionais”.
 Em 1825, os guaranis de São Nicolau do Rio Pardo conseguiram a posse das terras onde havia plantações de erva-mate. Pelo que as fontes indicam, essas terras eram parte de um território maior de onde os guaranis já extraíam a erva...

Doc. AHM sobre a Aldeia São Nicolau-1849
FONTE: Na Fronteira do Império, política e sociedade na Rio Pardo oitocentista. Melo,Karina Moreira Ribeiro da Silva e . EDUNISC, 2018.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        
      

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

PRAÇA DR. PEDRO BORBA


Imagens de pessoas Ilustres de Rio Pardo na praça mais conhecida como Praça da São Francisco, em frente a Igreja.Monumento do Barão do Triunfo, 1926.

Monumento ao Barão do Triunfo 1926
Fonte: Imagens do face do falecido Rogério Goulart.