domingo, 24 de junho de 2018

INTERIOR DE RIO PARDO


No interior de Rio Pardo ainda se vive a beleza da Natureza. Observa-se os detalhes da vida fora do borbulhim das cidades...


UM ABOLICIONISTA REPUBLICANO

 QUESTÃO MILITAR

 Ten. Cel. Antônio Sena Madureira  (1841-1889)
 Nasceu em Pernambuco. Oficial de Engenheiros, foi mandado para Europa em 1863 para estudar Vias de Transportes, missão  que interrompeu e se apresentou voluntário para lutar na Guerra do Paraguai, tendo combatido em Tuiuti, Curuzu, Estabelecimento, Pirebebuí e Campo Grande, recebendo muitos elogios por sua meritória ação em combate, tendo inclusive sido ferido à bala na Linha Negra.  Em 1870, foi o organizador do Almanaque Militar, servindo no Arquivo Militar, que reunia os engenheiros  militares.
 Depois, Sena Madureira, comandou as Escolas  Táticas e de Tiro do Realengo  e do Rio Pardo. Sua última função foi a de comandante da Fabrica de Pólvora da Estrela em 1888/1889.  Exonerado, veio a falecer pouco depois , aos 47 anos de idade, em circunstâncias suspeitas, depois de beber água mineral no QG do Exército, onde servia. Sua contribuição para o desenvolvimento da Doutrina do Exército, antes de ir servir em Rio Pardo, foi expressiva. Integrou na Europa, de 1873/77, comissões encarregadas de estudar a organização dos maiores exércitos da época e os seus sistemas de recrutamento, permanecendo em Berlim como adido militar. Sobre ele escreveu o acadêmico da AHIMTB Cel. Amerino Raposo Filho: “Militar dos mais competentes, dignos e cultos de sua época, versando em Ciências Políticas e Sociais, escrevia e falava fluentemente o francês, inglês e alemão. Excelente companheiro de armas, autêntico líder, admirado e seguido em suas idéias pelas gerações mais novas. Abolicionista  exaltado, não entendia como a Escravidão continuasse maculando a sua Pátria. Republicano convicto, sem ser positivista, correu todos os riscos decorrentes da contestação do regime monárquico.” 
Sena Madureira movimentou a sociedade Rio - pardense, junto com sua esposa, tendo ali participado da fundação, em 10 de outubro de 1886, do Clube Literário e Recreativo de Rio Pardo.
  
FONTE: Escolas Militares de Rio Pardo, pg. 68/9 - AHMRP



sábado, 23 de junho de 2018

EPIDEMIA EM RIO PARDO

Documento em que registra uma epidemia de Cólera Morbus em Rio Pardo a 28 de março de 1856.  A Província do Rio Grande pede para a CÂMARA da Cidade para enviar um mapa conforme o modelo, das pessoas acometidas no Município da epidemia de Cholera Morbus.   Documento assinado pelo Barão do Muritiba.

 O que seria Cólera Morbus?
Cólera é uma infecção do intestino delgado por algumas estirpes das bactérias Víbrio cholerae.O sintoma clássico é a grande quantidade de diarreia aquosa com duração de alguns dias. Podem também ocorrer vômitos e câimbras musculares. A diarreia pode ser de tal forma grave que em poucas horas provoca grave desidratação e distúrbios eletrolíticos.

A doença transmite-se principalmente através da água e de alimentos contaminados com fezes humanas com presença das bactérias.Os seres humanos são o único animal afetado. Os fatores de riscos incluem saneamento insuficiente, escassez de água potável e a pobreza

FONTE: CG 51, pg. 154,1856 – AHMRP

quarta-feira, 20 de junho de 2018

NÃO É VERGONHA AMAR O PASSADO


Feliz a campanha que o Jornal de Rio Pardo está iniciando, por iniciativa de Biágio Tarantino, homem de ação e resplendor das tradições, no sentido de que não morra o culto dos antepassados, fique na memória do povo as páginas viva da história da Pátria e que a terra legendária lembre-se de sua cidade ilustre  pelos feitos e pelos filhos.  
O complexo  atraso, a inibição que o antigo é inimigo do moderno e o preconceito errôneo do que  as crônicas de mais de dois séculos perturbem o ritmo evolutivo da economia local, não passam de ilusões que devemos sobrepujar com realidade. Rio Pardo, no Rio Grande do Sul é historicamente única nenhum lugar tem mais brilhantes memórias, posição de maior realce na cronologia dos acontecimentos sociológicos e as origens gaúchas  possuem suas raízes nesta terra que José de Alencar fez o elogio  e que Basílio da Gama cantou,em pleno século XVIII. A História colonial do Rio Grande do Sul é toda rio-pardense: Sete Povos, Lutas de Índios,  bandeirantes, sesmarias, missões, portugueses, açorianos, lagunenses, invasão espanhola, etc. ocorrem  na cidadela que Gomes  Freire de Andrade mandou  levantar um depósito de provisões, na confluência dos dois Rios. Em torno do  Forte nasceu a cidade, os campos de gado já existiam no interior, anteriormente padres, índios  e paulistas percorreram  a campanha rio - pardense.
A Fronteira do Rio Pardo dominou a Capitania inteira na direção do rio Uruguai e Sacramento, Maldonado o  Cisplatino efetivo, político  e administrativo. Aí  surgiram  as fazendas de criação de gado, cidades e paróquias.
 Regimento de Dragões do Rio Pardo foi admirável na sua obra de expansão, vigilância e expulsão do inimigo.
A colonização açoriana, representou um papel  consolidador dos costumes luso-brasileiros da  gente do pampa brasileiro. O Ilhéo,  com a alma pura de isolado pelos mares, oceanos, transplantou  seus hábitos fortes, serenos e honestos  nesta parte da América Portuguesa.
 Rio Pardo,  capital do Rio Grande.  Rio Pardo, centro de resistência  contra o castelhano;  Rio Pardo que deu parte de cinqüenta municípios do Rio Grande; Rio Pardo de Escolas de Guerra e Rio Pardo do tempo  do Paraguai, da abolição da Escravatura e da propaganda republicana. 
A galeria de seus líderes, seus cidadãos ilustres e figuras da história é bela e admirável da propaganda republicana.
 Cidade dos dez barões; Santo Ângelo, São Gabriel, Triunfo, Ramiz Galvão, Quaraí, São Nicolau, Bujurú, Teresópolis, Cambai, Viamão; e dos quatros Viscondes: Pelotas, São Gabriel, Serro Formoso e Andaraí.
Não  tem veleidades monárquicas  as citações que se fazem, nem manias aristocratizantes e sim homenagem aos grandes da terra. Tão dignos deles, também, os Borges do Canto, os Pinto  Bandeira, os Amaral, os Lisbôas, os Ferreira, os Fontoura, os Silveira, os Pedroso, os Lima, os Franco, os Mena, os Barreto, os Porto, os Simões pires, os Melo , os Macedo, os  Pedroso de Albuguerque,  os  Alencastre, etc. árvores genealógicas magníficas e troncos de famílias que deram exemplos ótimos e comoventes do patriotismo, coragem, abnegação, inteligência e espírito.  Rio Pardo das igrejas: cidade  que Saint Hilaire, Arsene Isabelle e Nicolau Dreys,  Viajantes do século XIX, adoraram : cidades dos sonhos, das festas populares, brigas de carnaval, reisados e cavalhadas, e cidade que Marcelino de Figueiredo, D. Pedro II, Dona Tereza  Cristina, Bento Gonçalves, Canto e Melo, Princesa Isabel, Deodoro da Fonseca, Conde D’ Eu,  Júlio de Castilho, etc estiveram.
Lugar  de nascimento de Alexandrino de Alencar, Ernesto Alves,  João Luiz Gomes, Protásio Alves e inúmeras próceres da República, que já, em 1835, tinha seus ardorosos defensores, como depois, em 1893.
Por que relegar as glorias de outrora com um patrimônio deste?  Por que derrubar sobrados tão lindos e que guardam romances inesquecíveis, pois a inesquecíveis, pois a história não é o romance de uma Pátria?  

    FONTE: Jornal de Rio Pardo 03/08/1952  por DANTE DE LAYTANO - AHMRP                                                                                                

terça-feira, 19 de junho de 2018

INAUGURADA SOLENEMENTE A RÁDIO ZYU- 35 RÁDIO RIO PARDO

  RÁDIO ZYU-35

  Conforme estava previsto transcorreu com pleno êxito  a solene inauguração da nossa emissora , que obedece a firme direção do Sr. Arnaldo Balvê.
Pela manha do dia 06/12 houve solenidade, com benção da emissora, procedida pelo  Reverendo Padre Broggi. Fizeram uso da palavra o padre Broggi, Faustino Teixeira Prefeito Municipal,  Arnaldo Balvê, Dr. Miguel Mendes Ribeiro, Arno Henn, Fernando B. Wunderlich Lothario  Bartolomay. Durante o dia, foi cumprida a programação musical especial, sob o patrocínio de diversas firmas.
 À noite, no Cine Teatro Coliseu ocorreu um show com diversos artistas de rádio da capital e da cidade. Continuando foi oferecido à sociedade rio-pardense um baile, no Clube Literário e Recreativo que se prolongou até a madrugada. 

FONTE:  JORNAL DE RIO PARDO, 14/12/1952  AHMRP


sábado, 16 de junho de 2018

GALO DA MATRIZ NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO


Na Europa é muito comum o uso de cata ventos com formato  de galo nas torres das igrejas.  Segundo a tradição católica, esse formato é uma referência ao galo que cantou depois que Pedro negou a Jesus Cristo três vezes.
 O uso de cata ventos tem um objetivo prático, pois a direção dos ventos ajuda a prever a possibilidade de chuva. Assim, a direção apontada pela cabeça do galo da Matriz de Rio Pardo corresponde à direção em que o vento sopra. Por isso as pessoas que vivem nas vizinhanças da igreja arriscam-se a prever o tempo, observando o galo.
Dizem que, quando o galo está virado para a Brigada Militar, há tempo suficiente para lavar e secar a roupa, mas é provável que chova. Quando ele aponta para o lado de Santa Cruz , é sinal de chuva imediata. Mas, se ele vira a cabeça para Porto Alegre, é sinal de tempo bom.
É claro que, nem sempre a previsão é confirmada! Normalmente o conhecimento popular tem origem na experiência, na observação constante dos fenômenos naturais.  As falhas acontecem, neste caso, porque as condições meteorológicas são bastantes complexas e muitas vezes chove, ou não,  contrariando todos os sinais evidentes.

FONTE: O livro de Perguntas e respostas ( Ed. Globo) e informações da Senhora Terezinha Varreira. Pesquisa de Silvia Barros, Ceres Kuhn e Neuza  2001. AHMRP


sexta-feira, 15 de junho de 2018

PERSONAGEM IMPORTANTE PARA O RS E RIO PARDO

JOAQUIM JOSÉ DE MENDANHA
Autor do Hino Rio Grandense, nasceu em Itabira do Campo, Ouro Preto, província de Minas Gerais, no ano de 1800, sendo filho de Joaquim de Gouvêa Mendanha e de Eufrásia Maria de Jesus. Como era de praxe à época, pertenceu a Irmandade da Gloriosa Virgem e Mártir Maria Cecília (Rio de Janeiro), que reunia os músicos profissionais. Mais tarde, atuou no coro da Capela Imperial, como cantor falsetista (9.10.1837), sendo também mestre da banda do 2º Batalhão de Caçadores da 1ª Linha. No final de 1837 o Batalhão em que Mendanha servia deslocou-se para o Rio Grande do Sul engajado nas forças legalistas contra os rebeldes farroupilhas. No combate do Barro Vermelho (30.4.1838) sua banda foi aprisionada em Rio Pardo e como fossem bem tratados, Mendanha compôs o Hino da República Rio-Grandense, executado seis dias depois. Um ano depois (20.12.1839) Rio Pardo é retomada pelos legalistas e a banda volta ao exercício imperial. Em dois de Dezembro de 1835 Mendanha  participa da criação da Sociedade de Música  de Porto Alegre, que no ano seguinte faz sua  primeira apresentação (7.1.1856). Nossa capital foi sua cidade adotiva; como mestre de capela da Catedral Metropolitana foi autor de várias músicas para festas do Menino Deus e para o coro da Igreja de Nossa Senhora das Dores. Vivia na Rua da Varzinha, atual Rua Demétrio Ribeiro, onde possuía duas meias águas, número 64 e 66. Foi agraciado com a Ordem da Rosa em 1877. Faleceu em Porto Alegre a dois de setembro de 1885.


 FONTE: Jornalzinho do Arquivo Histórico do Estado do RS, Porto Alegre, nº 10, 1988. AHMRP