quinta-feira, 13 de julho de 2023

A ILUMINAÇÃO EM RIO PARDO

 

Inicialmente a iluminação em Rio Pardo era feita somente nos dias de festas. Passavam-se editais pedindo aos moradores que iluminassem as frentes das suas casas, estipulando-se o prazo para isso. Os editais eram colocados em lugares públicos, nas portas das igrejas, onde as pessoas da época freqüentavam. Assim foi feito quando D. Pedro II visitou  Rio Pardo, quando a vila foi elevada a  Cidade, nas datas de aniversários de autoridades reais, e nas datas importantes como a Independência. Também se usava iluminar os locais de divertimentos, para que ficassem “conformes com a moral pública”.

Quando em 1817 o Governador e Capitão General da Capitania, Marquês de Alegrete, programou uma visita a Rio Pardo, imediatamente o conselho pediu a todos os moradores que iluminassem as frentes de suas casas por três dias.

Em 1846, por Lei Provincial, procede-se a arrematação de 72 lampiões para iluminar a cidade. Foram apresentadas várias propostas e afixados editais de praça. O arrematante deveria colocar as iluminarias em esteios de madeira de lei, em muros e paredes e teria um prazo de quatro meses a contar da arrematação, para colocar os lampiões. 

As iluminarias deveriam ser feitas de folhas de flanders, com bicos e reflexos de metal amarelo, contendo quatro faces com vidros. Todos deviam ser do mesmo tamanho e com cadeado.

 O arrematante era obrigado a manter os lampiões limpos e completamente acesos, desde o anoitecer até amanhecer do dia, nas noites em que não houvesse lua, e, nas em que houvesse, por todo o tempo que ela não iluminasse. Pelos seus serviços, receberia seis mil e oitenta réis por cada lampião. A manutenção também era sua responsabilidade, devendo ele providenciar os consertos
Lamparina Antiga na Ponte do Rio Pardo

necessários, ferros, vidros, capacetes e mais utensílios. Qualquer pessoa poderia reclamar junto à Câmara, quando encontrasse algum lampião apagado, podendo o arrematante ser multado por essa falha.
Os Vereadores preocuparam-se com o pagamento do serviço de iluminação pública. Por isso, mandaram ao vice-presidente da província  um ofício propondo um levantamento de pagamento desse serviço, considerado de utilidade pública.

  FONTE: Livros de Registos Gerais e Atas da Câmara no período de 1811 a 1846.  AHMRP  e coluna do jornal de Rio Pardo, História Particular Da Velha Cidade do RS- Dante de Laytano - Pró-Memória Rio Pardo

 

quarta-feira, 28 de junho de 2023

JOÃO CÂNDIDO E A REVOLTA DA CHIBATA

 Dia 24 de junho, se comemorou o aniversário de João Cândido Felisberto, negro gaúcho que se transformou no “Almirante Negro”. Nasceu na atual Encruzilhada do Sul, em 24 de junho de 1880 e faleceu no Rio de Janeiro em 1969.

Filho de ex-escravo, aos treze anos, com a ajuda do Almirante Alexandrino de Alencar, foi para a escola de marinheiros e como tal conheceu outros países, tomando conhecimento dos castigos físicos, a começar pela chibata, a que eram submetidos os marinheiros da época.
Inconformado com a situação, João Cândido liderou seus colegas brasileiros contra os castigos físicos impostos pela Marinha do Brasil. Na “Revolta da Chibata”, ocorrida no Rio de Janeiro, marinheiros realizaram um motim pelo fim do uso da chibata (25/11/1910).
A fim de terminar com o conflito, teria sido concedida anistia aos envolvidos e a promessa do fim de castigo corporal na Marinha. Mas o que ocorreu na prática é que muitos marinheiros foram rapidamente dispensados da Marinha e, ocorrendo uma segunda rebelião, os amotinados foram presos ou enviados para campos de trabalho, nas plantações de borracha, na região Norte do Brasil, lugar descrito por Rui Barbosa como um lugar onde alguém só morre.
João Cândido estava entre os 18 presos. Daquela noite na prisão, apenas ele e um companheiro sobreviveram à chacina.
Em 1912 foi absolvido das acusações, solto e afastado da Marinha. Discriminado e perseguido pela Marinha até o final da vida, recolheu-se no município de São João de Meriti, onde se aproximou da Igreja Metodista.
Morreu no Rio de Janeiro, em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos, vítima de câncer.
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sábado, 6 de maio de 2023

Vila de Rio Pardo

Uma das quatro primeiras Vilas da Província do Rio Grande de São Pedro do Sul , criada em 1809 por Decreto Real. Rio Pardo ocupava  três quarto da Província. Foi um dos principais centros comerciais que através do Porto do Jacuí distribuía  para as Missões e centro da Província as mercadorias vindas de Rio Grande e capital.



Rampa do Porto do Jacuí -1848




Rio Jacuí atual

segunda-feira, 20 de junho de 2022

IGREJA SÃO FRANCISCO DE ASSIS


Igreja São Francisco


A origem

Matheus Simões Pires foi um dos primeiros comerciantes estabelecidos no município e era o principal fornecedor do Regimento dos Dragões, transportando as mercadorias do Rio de Janeiro, através de carroças.

Numa de suas andanças, desta vez em busca de produtos no Prata (Uruguai), foi aprisionado junto com seu fiel escravo. Por muitos anos, se supôs que Matheus estivesse morto. Mas sua esposa Catarina, mantinha acesa a esperança de que um dia o marido retornaria. Para tal, fez uma promessa a Nossa Senhora do Rosário: se ele voltasse vivo, mandaria erguer uma capela. Simões Pires retornou junto de seu escravo e a pedido da esposa, e com ajuda de Manuel Macedo Brum (o primeiro produtor de vinho em solo gaúcho), mandou construir a Igreja São Francisco em 1802, com conclusão das obras em 1812, contribuindo assim também com a Ordem Terceira do Seráfico São Francisco.

A Igreja

A Igreja São Francisco de Assis é um dos mais antigos templos existentes no Rio Grande do Sul. Como encarregados de sua construção estavam os açorianos Manuel de Macedo Brum e Matheus Simões Pires. A obra iniciou-se em 1802 em terreno doado por Antônio Borges Coelho, sendo inaugurada em 1812, possuindo em seu interior, anexo à própria igreja, o Museu de Arte Sacra (inaugurado em 1975) com as mais belas imagens do Rio Grande do Sul da estatuária barroca.


O incêndio

Fato importante de se destacar é o que trata do incêndio ocorrido em meados do século XIX (1853), onde consta nos documentos da época: [...] A Câmara Municipal desta Cidade em sessão de 30 de novembro de 1853, deliberou levar ao conhecimento de V. Exª que a huma hora  da pouco mais, ou menos do dia 28 do corrente manifestou-se incendio na Capella Mor da Capela São Francisco aliás da Capella da Ordem Terceira de São Francisco, e sendo prestado o socorro que em casos taes se costuma não foi possível evitar a intensidade do referido incendio, que deixou-a em total ruína, perecendo victima dell o Orago de Ordem, e varias Imagens ali collocadas: salvarão-se das chamas onze Imagens e algumas alfaias e paramentos do Culto, concorrendo muito para isto os esforços inauditos de todos de a população em geral. [...].


Associação Zeladora da Igreja São Francisco de Assis

A Igreja era mantida pela Antiga Confraria, transformada na Associação Zeladora da Igreja São Francisco de Assis, fundada em 14 de maio de 1947, pelos Devotos de São Francisco de Assis.


A Capela

Foi tombada em 24 de maio de 2007, através do Decreto Municipal nº 26 da Prefeitura Municipal de Rio Pardo.

Durante o processo de usucapião passou-se a posse do terreno para a Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul, como forma de possibilitar o encaminhamento de projetos para a obtenção de recursos junto às leis de incentivo.



Fontes

  • Relato do Sr. Ciro Saraiva, realizado a partir de suas pesquisas e publicadas no Jornal de Rio Pardo, na Edição dos dias 09 e 10/04/2010.

  • MACEDO, Francisco RioPardense de. Rio Pardo: A arquitetura fala da história. Porto Alegre: Sulina, 1972.

 
Imagem de Cristo tamanho natural 

N. Senhora com articulações
Igreja com relíquias em tamanho natural