domingo, 13 de outubro de 2019

FAZENDA DE DOM FELICIANO PRATES


Dom Feliciano José Rodrigues Prates nasceu na Aldeia dos Anjos em 1781 e morreu em Porto Alegre a 1858. Ordenado sacerdote em 1804,nomeado em 1852, por Bula Pontifícia, 1º Bispo do Rio Grande do Sul. Sua estancia, no Rio Pardo, agora pertence pelo menos grande parte, a Tácito de Quadros, e ali ainda existem restos do pequeno prédio da Capela.
Dom Feliciano iniciou sua careira como capitão do Exército, servindo, entre outros corpos, no Regimento de Dragões do Rio Pardo. Fez as campanhas do Marquês do Alegrete. Foi condecorado. Deixou o exército para ser cura de Encruzilhada.

FONTE: Dante de Laytano, 82. Almanaque de Rio Pardo. Internet


Foi residencia oficial de Dom Feliciano Rodrigues Prates, primeiro Bispo do Rio Grande do Sul. A casa foi construída em estilo colonial português durante a Revolução Farroupilha e o Bispo permaneceu nela até 1853, quando foi nomeado Bispo Metropolitano e transferido para Porto Alegre.

domingo, 6 de outubro de 2019

PARQUE DE EVENTOS - ANTIGO FORNO DE CAL

Escada e banheiros que nada existem mais.

Cenário Danificado


Casas que serviriam para uso de Artesanato

F
FONTE; Neuza Quadros

O RIO GRANDE DO SUL NA VISÃO DE UM EUROPEU


É digno de lástima que todas essas belas planícies baixas do Jacuí e de outros rios estejam expostas à inundações frequentes; isto é um obstáculo até agora sem solução para a sua cultura e ao mesmo tempo obriga os habitantes das proximidades que possuem animais, a ter grandes extensões de terreno a fim de os poder retirar para as elevações no tempo das inundações.
Este inconveniente prejudica ao mesmo tempo a agricultura e a população.
E como a ambição dos estancieiros consiste em possuir grandes rebanhos, de cinco, dez e trinta mil cabeças de gado, resulta que procuram possuir a maior extensão possível de campo; deste modo não é raro ver-se estâncias, sobretudo nas Missões e na parte vizinha da Banda Oriental, de dez, vinte e trinta léguas ou mais de extensão.
E se não obtêm todos esses vastos terrenos a título de concessão de parte do governo, compram de seus vizinhos pobres as terras que os rodeiam e se livram assim de qualquer concorrência inoportuna.
Conclui-se, facilmente, que essa repartição de uma grande extensão da região nas mãos de um só indivíduo ou de uma só família deve retardar consideravelmente o progresso da população.
Responderão talvez a isso que as grandes propriedades se dividirão necessariamente pela divisão das famílias; mas quantos séculos seriam necessários para povoar como uma província dos Estados Unidos, por exemplo, as quinze mil léguas quadradas que pode ter a província do Rio Grande?...
Pois não tem senão sessenta mil almas, depois de mais de duzentos anos de fundação!
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O governo brasileiro quis de alguma maneira, remediar esse grave inconveniente (para não dizer abuso), fazendo uma lei proibindo a concessão ao mesmo indivíduo de mais de uma sesmaria; a sesmaria foi fixada em três léguas em todos os sentidos, mas parece que não se cumpre rigorosamente, além do que, como despojar de seus direitos, sem injustiça flagrante, os grandes proprietários que adquiriram e ainda adquirem terras?
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Por todas essas razões, uma grande quantidade de sítios encantadores, terrenos muito férteis, muito próprios para a cultura de cereais, algodão, cana de açúcar, café e mandioca, ficarão ainda por muito tempo sem outros habitantes a não ser bois, carneiros, mulas e cavalos.
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O pouco de cultura que se faz nas chácaras, fazendas e em redor das estâncias, consiste unicamente em plantar mandioca, semear milho, feijão, arroz e alguns legumes, o suficiente para as necessidades da família e sem se dar muito trabalho.
O jardim, ou campo cultivado, acha-se mais comumente colocado no meio de um mato a fim de preservá-lo da invasão do gado; é o que se chama roça ou roçado.
Por isto se contentam em derrubar grandes árvores no meio dos matos, queimar o pé para destruir as raízes e revolver em seguida ligeiramente a terra; a natureza, essa excelente e previdente mãe, faz o resto.
Todos os trabalhos de agricultura se limitam mais ou menos a isso na província do Rio Grande e também nas outras províncias do rico e fértil Brasil.
No entanto notei exceções; encontram-se alguns roçados melhor cuidados do que outros e cultivados à maneira das nossas hortas; mas é necessário confessar que isso é raro e que não se vê senão em casas de europeus.
Se os animais fazem insignificante destruição no cercado, há o inconveniente dos pássaros, dos papagaios sobretudo, dos macacos e outros animais, o que é muito difícil de remediar; por outra parte, ocupam-se pouco nisto.


REFERÊNCIA:
ISABELLE, Arsène. Viagem do Rio Grande do Sul. (1833-1834). Porto Alegre: Martins Livreiro-Editor, 1983. p. 42-44.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

ASSISTÊNCIA SOCIAL – RIO PARDO


ABRIGO 


Entre as cidades do interior do Rio Grande, Rio Pardo é talvez uma das poucas que mantem a assistência aos pobres e desvalidos em todos os seus diferentes setores. Tivemos a Associação  das Damas de Caridade que cuidavam de uma Creche nos ano de 1944/48.
Nos últimos dias do ano de 1944, inaugurou-se o INSTITUTO EDUCACIONAL DE MENORES, iniciativa do Dr. OLDEMAR Toledo, então Juiz de Direito da Comarca, que mereceu o apoio integral da população deste município, cuja s contribuições em dinheiro, para a instalação, elaboram-se para mais de Cr$50.000,00. A essa importância foi acrescida a subvenção da legião brasileira de Assistência de Cr. $ 55.000,00 e igual quanta do Governo do Estado. Feita a aquisição do prédio, situado em lugar saudável e introduzidas, as adaptações, passou a funcionar o abrigo dessa instituição, onde foram recolhidos, NOS PRIMEIROS DOIS DIAS, 29 MENORES.
Pela falta absoluta de espaço adiou-se a Instalação da seção de Meninas.

FONTE: Dante de Laytano, Almanaque de Rio Pardo pg. 126, 1946. AHMRP

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

NAVEGAÇÃO DE RIO PARDO



A navegação entre Rio Pardo e Porto Alegre era feita regularmente pelas seguintes empresas, que empregam " Gazolinas" para o serviço.
 Companhia Becker, sede em Porto Alegre. Somente de carga.
Navegação Borges, sede em Rio Pardo de José Borges So, também só de carga.
Navegação Sem Rival com sede em Porto Alegre de Cunha Junior & Cia, com Cargas e passageiros. Navegação Patriota,sede em Porto Alegre. Waldemar Herzog & Irmãos, de carga e passageiros. Preços de Fretes de secos e molhados 0,03 centavos o quilo.
Passagens a preço de Cr$ 25,00 a Porto Alegre.

Antiga Rampa onde as embarcações chegavam de 1846.

FONTE: Dante de Laytano, Almanaque de Rio Pardo, pg. 109,1946. AHMRP
Imagens ilustrativas atuais

MONUMENTO DIA DAS MÃES


Em maio de 1965, foi comemorado o Dia das Mães com diversas homenagens tendo como destaque a inauguração do Monumento em homenagem as Mães. Promovido este evento, pelo Rotary Club de Rio Pardo oferecendo esta homenagem à cidade, com sua localização na Praça Barão de Santo Ângelo. A solenidade foi pela manhã contando com os rotarianos, autoridades e suas famílias. O presidente da entidade promotora, o Sr. Arlindo Cardoso presidiu o evento, juntamente com o vice-prefeito Sr. Azuil Cintra.


 FONTE: Jornal a Folha de 13 de maio de 1965. AHMRP

NICOLAU DREYS DESCREVE O COMÉRCIO EM RIO PARDO NO SÉCULO XIX


Em sua viagem pela Província do Rio Grande de São Pedro do Sul, Nicolau Dreys, comerciante francês que se radicou no Brasil, escreveu o livro ”Notícia descritiva da Província do Rio Grande de São Pedro do Sul” publicado em 1839.
De sua passagem por Rio Pardo, falou sobre a produção de alimentos, o comércio e o transporte:

“A vila do Rio Pardo está longe de desfrutar a fartura que se observa em Porto Alegre; os trabalhos agrícolas de seus próprios cidadãos, ou de seus vizinhos satisfazem uma parte de sua precisões, mas em geral ela recebe de Porto Alegre, além das fazendas e de todos os mais produtos da indústria europeia, os víveres, que lhe faltam, maiormente os vinhos, os espíritos, os açúcares, e todos os mais gêneros alimentícios que o território  não fornece, menos talvez por falta de propriedade do que por insuficiência de trabalhadores; o trânsito dos objetos importados efetua-se pelo rio Jacuí, por meio de canoas bastante grandes, e às vezes maiores que alguns dos iates que navegam no Rio Grande e nas Lagoas. As mesmas embarcações carregam, na volta, os efeitos, com os quais Rio Pardo paga uma parte das importações, e entre eles figura a erva mate
geralmente de boa qualidade, verdadeira congonha, procedida, como já o temos notado, da mesma serrania que produz a erva do Paraguai. Todavia, essa navegação, que é sem perigo, não é sem inconvenientes, sendo o maior deles a necessária lentidão com que a canoa navega na ida para o Rio Pardo, obrigada, como está, a vencer a correnteza do rio, agarrando-se penosamente os marinheiros, quando lhes falta o vento, às árvores que crescem pelas margens, e isso quando a navegação é praticável, o que, segundo nossas indicações antecedentes, não acontece em toda a extensão do ano por causa da seca que deixa surgir as cachoeiras acima do nível das águas; nestas ocasiões a navegação fica reduzida a algumas canoas pequenas de voga, as quais anda mais ligeiras com menos dificuldades, mas cuja capacidade não chega, às vezes, para livrar totalmente o Rio Pardo de privações momentâneas.
As expedições de Porto Alegre para o Rio Pardo são tanto mais importantes, que a vila de Rio Pardo é uma espécie de depósito, donde as fazendas seguem para as povoações mais afastadas ao Sul e a Oeste, a navegação cessa ordinariamente, e em todos os tempos, para as canoas de carga, no Rio Pardo, e daí continua o transporte por terra até o Ibicuí-Guaçu, e mesmo até o Arapeí de um lado, e até o Uruguai de outro lado, por meio de carros grandes puxados por três, quatro e mais juntas de bois. É desse modo, e por esse caminho, que penetram no vasto território das Missões quase todas as fazendas, gêneros comestíveis e líquidos, que ali se consomem; é de presumir que uma parte dos mesmos efeitos se ponham em concorrência pelo Uruguai: porém, há de ser forçosamente uma quantidade muito diminuta, vista a extraordinária dilação da viagem e as despesas consecutivas a que tem de ocorrer o importador.”



REFERÊNCIA:
DREYS, Nicolau. Notícia Descritiva da Província do Rio Grande de São Pedro do Sul. 4ª ed. Porto Alegre: Nova Dimensão/EDIPUCRS, 1990. p. 70-71.