terça-feira, 18 de novembro de 2025
HERÁCLITO AMERICANO DE OLIVEIRA – ABOLICIONISTA EM RIO PARD
Texto: Melina Kleinert Perussatto
...Contudo é o rio-par dense Heráclito Americano de Oliveira que melhor ilumina essa questão. No ano de 1883 participou da fundação da “Sociedade Sempre Viva” que tinha, entre outros, o objetivo de amealhar recursos para emancipar escravos. No ano de 1887, com a criação do cargo de orador, proferiu uma entusiasmada “conferência abolicionista” registrada em seu diário14. Entre 1886 e 1887 escreveu no jornal O Lutador em uma coluna onde deveria captar os últimos acontecimentos do Brasil e do mundo. Em 1887 passou a editar em Rio Pardo o jornal O Patriota, uma espécie de arauto abolicionista e republicano. Sobretudo, esse entusiasta torna-se via de acesso para compreendermos a “interiorização” das iniciativas que se sucediam na capital, no país e no mundo.
Nos deparamos com esse personagem quando atuou como curador da ex-escrava Rosa na ação de manutenção de liberdade15 de seus filhos, em 1887, solicitada após o juiz municipal decretar uma portaria16 que mantinha em liberdade todos os escravos com filiação desconhecida. Tal decisão baseava-se na lei de 1831, que proibiu a entrada de africanos, e na lei de 1871, que cessou a fonte da escravidão. A relação de Heráclito com o juiz fica um tanto explícita pelo fato da portaria e da relação dos escravos mantidos em liberdade terem sido publicados em seu jornal, conforme consta na cobrança junto à Câmara Municipal...
Fonte: anpuh.org.br/uploads/anais-simposios/pdf/2019-01/1548772190_048cb52905d35aab4efee88fcd50fc07.pdf
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
LEILÃO DE ESCRAVOS
No dia 15 de setembro de 1869, foi promulgada a lei que proibia no Brasil a venda de escravos em leilão.
No século XV os portugueses trouxeram Europa os primeiros africanos com Gil Eames. Em fins de 1500 foram utilizados na colonização da Ilha da Madeira, dos Açores e do Cabo Verde. No século XVI a América tornou-se o grande mercado.
Os primeiros escravos chegaram ao Brasil em 1538,com Jorge Lopes Bixorda. Calcula-se que mais de 15 milhões aqui entraram entre os séculos XVI e os meados do XIX. No Direito Público da época julgava-se legítima “a escravidão dos que não pertenciam à cristandade e eram inimigos declarados “. Em 1750, um escravo “peça da Índia” ou “folego vivo”( como era chamado), valia 100 mil réis. Um “boçal” valia quatro vezes mais.
O “crioulo” nascido aqui tinha ainda melhor preço. Os principais centros de imigração eram a guiné, o Congo, Loanda e Benguela.
O primeiro movimento registrado em prol da abolição da Escravatura foi em 1767. O ato da assembleia de Massachussetts, inspirado pelos”quakers”, vedando a entrada de africanos nos Estados Unidos. Em 1807, a Inglaterra proibiu o tráfico nas colônias suas colônias. Em 1810, D. João VI comprometia-se com os ingleses a uma “gradual” abolição do comércio de escravos.
Em 1823, José Bonifácio apresentou à Assembleia Constituinte, um projeto destinado a suprimir o tráfico dentro de 5 anos, facilitando também a gradual libertação dos escravos. Em 1865, o tráfico se extinguia. Proibidos em 1869, os leilões de escravos ainda perduraram por mais sete anos.
Fonte: Almanaque do Correio do Povo, 1979 pg. 67
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
GRUPO ESCOLAR VIRGÍLIA REZENDE - JOÃO RODRIGUES
Antigo prédio do Grupo Escolar, prof. Virgília Rezende, em João Rodrigues.
Vanilda Sá fala das brincadeiras que faziam pra se divertir saiam um grupo de jovens e outros tbem mais velhos pra fazer “Surpresas nas casas”, se juntavam e ali saia um Baile e a festa estava formada e a musica era com toca disco. Lembra com muita saudade.
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
PARABÉNS PELO DIA DOS ARQUIVISTAS !
O que faz um Arquivista?
O arquivista é o profissional responsável pela organização, gestão e preservação de documentos em arquivos. O seu trabalho é fundamental para garantir a eficácia das atividades de uma organização, seja ela pública ou privada.
· Organização de acervos documentais: o arquivista é responsável por definir critérios de classificação e organização de documentos, com o objetivo de torná-los acessíveis e fáceis de serem encontrados;
· Gestão de acervos: o arquivista é responsável por criar políticas de gestão de documentos, que incluem desde a definição de prazos de guarda até a disposição adequada de documentos confidenciais;
· Preservação de documentos: o arquivista é responsável por garantir que os documentos sejam armazenados e preservados adequadamente, de forma a evitar danos causados pelo tempo ou por fatores externos;
· Digitalização de documentos: o arquivista pode ser responsável por coordenar a digitalização de documentos em arquivos, o que permite maior acesso e facilidade de pesquisa.
Fonte: https://querobolsa.com.br/carreiras-e-profissoes/arquivista
terça-feira, 30 de setembro de 2025
GRUPO DE BOLÃO GOROROBA (CLUBE)
Histórico:
A trajetória do Grupo de Bolão Gororoba começa em 1945, quando um grupo de amigos de Rio Pardo se reunia semanalmente para jantares descontraídos, batizados de “Gororoba”.
No ano seguinte, 1946, o Clube Literário e Recreativo instalou em sua sede um pranchão para a prática do bolão, incentivando a criação de equipes. Surgiram então os grupos “Tempestade”, “Centenário” e “Amigos da Onça”. A turma dos jantares decidiu entrar na disputa e, em 21 de outubro de 1946, durante um jantar, fundou oficialmente o Grupo de Bolão Gororoba.
A primeira diretoria foi formada por Iedo Ribas (presidente), Antonio Falkembach (secretário) e Nelson Machado (tesoureiro). Ainda naquele ano, por iniciativa de Guerino Begnis, foi criada a Taça Semana da Pátria, a ser disputada anualmente, com posse definitiva para quem conquistasse duas vitórias consecutivas. O Gororoba venceu a primeira edição, em setembro de 1947. Entre 1948 e 1952, as vitórias se alternaram com o rival Tempestade, até que, em 1953 e 1954, o Gororoba venceu duas vezes seguidas e ficou com o troféu em definitivo.
A Sede e a Transformação em Clube
Em 1950, durante uma conversa no café de Aladim Xavier, surgiu a ideia de construir uma sede própria. O projeto foi abraçado por Guerino Begnis, Wilson Melechi, Ernani Delmar Kelsch, Manoel Estrada Blanco, Guilherme Schilling Sobrinho e outros.
No dia 17 de dezembro de 1950, a sede foi inaugurada na chácara de Guerino Begnis, com a presença de autoridades civis, eclesiásticas e esportivas. A fita inaugural foi cortada por Manuel Alfeu de Borba e a bênção dada pelo Pe. Thomaz Broggi. O orador oficial, Dr. Mário de Andrade Neves Meirelles, emocionou os presentes com um discurso improvisado.
O evento contou com a participação como padrinhos do Grupo de Bolão Tempestade e do Glória Tênis Clube de Porto Alegre. Após um churrasco, Gororoba e Tempestade se enfrentaram, com vitória do Gororoba por 18 paus.
Em 1951, a sede foi oficialmente inaugurada e, no mesmo ano, o grupo transformou-se em Clube de Bolão Gororoba, com estatutos registrados em 1952. Os presidentes de honra passaram a ser Dr. Apolinário Francisco de Borba e Dr. Mário de Andrade Neves Meirelles.
Em setembro de 1947, foi disputada oficialmente a primeira partida pela Taça “Semana da Pátria”, cabendo ao grupo de bolão Gororoba a vitória inaugural. A partir daí, iniciou-se uma série de confrontos marcantes entre o Gororoba e o Tempestade.
Entre os anos de 1948 e 1952, as vitórias foram intercaladas entre as duas equipes, mantendo acesa a rivalidade e o prestígio da competição. Finalmente, em 1953 e 1954, o Gororoba conquistou duas vitórias consecutivas, garantindo a posse definitiva do troféu.
A equipe campeã contou com nomes que marcaram época: Luiz Ritter, Edmundo Schild, José E. Moraes, Mario Py Pacheco, Lauro R. Fischer, Ernani Delmar Kelsch, Erimelo Klein, Wilson Melechi, Arno Shumacker, Iedo Ribas, Waldemar D’Avila, Nelson Peixoto, Ernani V. Correa, Antonio Falkembach, Romildo Scheider, Armindo Klein, Edvino Velten, Pedro Siqueira e Manoel Estrada Blanco.
Ao longo dos anos, os capitães da equipe foram João Kops, Edmundo Schild, Mario Py Pacheco e, em 1954, José E. Moraes, que liderou o grupo na conquista definitiva da taça.
Até o ano de 1954, o Gororoba havia disputado 42 partidas contra o Tempestade, vencendo 25 e perdendo 17. Contra equipes de outras localidades, foram realizados 34 jogos, com 23 vitórias e 11 derrotas — números que refletem a força e a tradição do clube.
Homenagens de 1954
Em 1954, o Clube representava Rio Pardo no campeonato estadual, após vencer o Clube Literário nas eliminatórias. Antes do fim do mandato, a diretoria prestou homenagem póstuma aos fundadores Avati Rezende e José de Quadros Ferreira, colocando na sede um quadro com suas fotos. O Dr. Mário Meirelles discursou na ocasião.
Foram entregues diplomas de benemérito a Guerino Begnis, Guilherme Schiling Sobrinho, Manoel Estrada Blanco, Wilson Melechi e Ernani Delmar Kelsch. O convidado de honra foi o Grupo de Bolão Tempestade, que disputou a Taça “Avati Rezende e José de Quadros Ferreira”, ofertada pelo Dr. Mário Meirelles.
Fontes:
Jornal de Rio Pardo - 29/12/1950
Jornal de Rio Pardo - 19/09/1954
PREFEITURA ATUAL -CINE HOTEL
Data: Década de 1960
Local: Rua Andrade Neves, nº 324.
Proprietários:
Antes de 1954: O terreno e o antigo casarão pertenciam a Salvador Reina.
1954 a 1960: O imóvel foi adquirido pelo Cine-Hotel Consórcio Rio Pardo S.A., presidido por Estevão Araújo Motta. O consórcio iniciou as obras do Cine Hotel, mas o projeto foi abandonado por falta de recursos.
Década de 1960 (aproximadamente 1967–1968): A Prefeitura Municipal de Rio Pardo passou a ser responsável pelo prédio, após aprovação da Câmara Municipal para instalar ali a nova sede do Executivo e o Paradouro Turístico.
Desde 1968 até hoje: O prédio permanece sob domínio da Prefeitura Municipal de Rio Pardo, sendo utilizado para fins administrativos.
Histórico
O edifício que hoje abriga a Prefeitura Municipal de Rio Pardo, localizado na Rua Andrade Neves, nº 324, carrega uma trajetória marcada por grandes projetos, mudanças de destino e importância histórica para a cidade.
A história começa em 1954, quando técnicos do Consórcio Brasileiro de Investimento S.A. visitaram Rio Pardo para estudar a construção de um ambicioso empreendimento: o Cine Hotel. Orçado entre 8 e 10 milhões de cruzeiros, o projeto foi elaborado pelos engenheiros Leoni Sgrilo, Marino Azambuja, Lauro Penteado e Adolfo Kaiser, sob a presidência de Estevão Araújo Motta no recém-criado Cine-Hotel Consórcio Rio Pardo S.A.
A planta previa um hotel moderno, com todos os requisitos de conforto da época, anexo a um restaurante, casa de chá e boate. O objetivo era fomentar o turismo, oferecendo hospedagem de alto padrão e colocando Rio Pardo em destaque no cenário estadual. Em 10 de setembro de 1954, foi formalizada a compra do terreno e de um antigo casarão pertencente a Salvador Reina, com previsão de início das obras para março de 1955. O entusiasmo era grande, e o Jornal de Rio Pardo registrou à época a união dos rio-pardenses “para batalhar pelo progresso de sua terra natal”.
As obras avançaram, mas, a partir de 1957, começaram as dificuldades financeiras. Mesmo com um empréstimo para evitar a paralisação, o capital subscrito não atingiu o valor necessário. A falta de recursos impediu a conclusão até mesmo da parte térrea do edifício. Em setembro daquele ano, uma das salas térreas foi alugada à Companhia Rio-grandense de Adubos (CRA), mas o desinteresse dos investidores aumentou, e o projeto do Cine Hotel acabou abandonado.
Uma década depois, o destino do prédio mudou. Em sessão extraordinária da Câmara Municipal, foi aprovado por unanimidade o parecer que indicava o local do antigo Cine Hotel para abrigar a nova sede da Prefeitura, integrada a um Paradouro Turístico. O projeto, considerado o ponto alto da administração do prefeito Azuil Cintra, previa a instalação do Poder Executivo e, posteriormente, do Legislativo, além de Museu, Biblioteca Pública, Arquivo Histórico, apartamentos para turistas, restaurante, bar, estacionamento e jardins.
Em 1968, a nova Prefeitura Municipal iniciou oficialmente suas atividades no local. Na lateral do prédio, com acesso pela Rua Almirante Alexandrino, passou a funcionar o Centro Cultural Turístico, reunindo espaços de preservação histórica e cultural, ao mesmo tempo em que oferecia infraestrutura para receber visitantes. A obra não apenas embelezou a cidade, mas também solucionou uma antiga demanda: oferecer hospedagem e serviços compatíveis com o potencial turístico e histórico de Rio Pardo.
Assim, o prédio da Rua Andrade Neves, nº 324, transformou-se de um sonho inacabado de hotel de luxo em um marco da vida administrativa e cultural do município, mantendo viva a memória de um projeto ousado e reafirmando a vocação histórica e turística de Rio Pardo.
Fontes:
Coleção de Jornais do Arquivo Histórico Municipal - Jornal de Rio Pardo 1954-1955.
Coleção de Jornais do Arquivo Histórico Municipal - Jornal de Rio Pardo e Jornal a Folha - 1956-1958.
Jornal “A Folha” de 22 de janeiro de 1967.
Assinar:
Postagens (Atom)

